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Senadores democratas dos Estados Unidos submeteram, nesta quarta-feira (15), o indicado de Donald Trump para o cargo de diretor da Inteligência Nacional, Jay Clayton, a um intenso interrogatório por causa das intimações judiciais que ele emitiu contra jornalistas e em relação ao resultado das eleições de 2020.

Clayton deveria prestar depoimento perante o Comitê de Inteligência do Senado no mês passado, mas Trump cancelou a audiência em uma tentativa de pressionar o Congresso a aprovar um projeto de lei sobre restrições ao direito de voto.

Esse adiamento manteve Bill Pulte, um funcionário do setor habitacional leal a Trump, como diretor interino da inteligência por várias semanas. Durante esse período, segundo relatos, ele demitiu dezenas de integrantes dos serviços de inteligência.

Nesta quarta-feira, os parlamentares insistiram repetidamente para que Clayton dissesse quem venceu as eleições de 2020, como forma de avaliar se ele estaria disposto a contradizer Trump, que frequentemente repete a alegação falsa de que derrotou Joe Biden, mas foi privado da vitória por uma fraude eleitoral em grande escala.

Clayton afirmou repetidas vezes que Biden foi “certificado” como vencedor, mas evitou dizer que o democrata venceu a eleição.

Até então procurador federal do Distrito Sul de Nova York, Clayton também foi questionado sobre as intimações que expediu contra jornalistas do The New York Times para deporem perante um grande júri, após o jornal publicar uma reportagem sobre preocupações de segurança relacionadas a um avião doado pelo Catar no qual Trump viajou para a Turquia.

“Se interesses de segurança nacional estão em jogo, entendo que é de importância vital que não exista nenhuma área sem visibilidade”, declarou Clayton.

Segundo o senador republicano Tom Cotton, a votação sobre a indicação de Clayton deverá ocorrer na próxima semana.

Isso significa que Pulte poderá ser substituído em breve, o que pode abrir caminho para a renovação de um importante programa de coleta de inteligência conhecido como Seção 702 da Fisa, que permite a vigilância, sem mandado judicial, de cidadãos estrangeiros localizados fora do território dos Estados Unidos.

Esse programa controverso expirou pela primeira vez no mês passado, depois que o Congresso rejeitou uma prorrogação de curto prazo, em grande parte devido à nomeação interina de Pulte.

AFP

Fonte: Jornal de Brasília

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