28/08/2026 – 10:28
Apesar da ligeira desaceleração nas taxas anuais, o volume de crédito concedido no rotativo cresce e mantém o alerta do Banco Central para o endividamento das famílias.
A taxa média de juros cobrada pelos bancos no rotativo do cartão de crédito registrou recuo no cenário recente, caindo para 436,2% ao ano, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central do Brasil. No entanto, a moderação do custo financeiro não reduziu a procura por essa linha de financiamento, e a concessão de crédito na modalidade continua crescendo no país.
O movimento reflete o hábito persistente dos consumidores brasileiros de recorrer ao financiamento de curto prazo para cobrir despesas do dia a dia. Mesmo com o teto estabelecido para limitar os juros do rotativo a 100% do valor principal da dívida, a migração para o parcelado com juros e a demanda aquecida mantêm o volume financeiro total em patamares elevados.
Volume financeiro em expansão e impacto no consumo
A ampliação no uso do crédito rotativo mostra que a busca por liquidez imediata permanece forte entre as famílias. A concessão da modalidade impulsiona o montante total transacionado pelas instituições financeiras, evidenciando que a taxa anual ostensiva, embora menor do que em períodos anteriores, ainda representa um elevado peso no orçamento das famílias.
Economistas alertam que o recurso ao rotativo deve ser encarado estritamente como um instrumento emergencial. A alta inadimplência e o custo final para o consumidor continuam sendo gargalos estruturais para a expansão sustentável da renda disponível.
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Taxa Média do Rotativo: 436,2% ao ano.
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Comportamento do Mercado: Crescimento sequencial nas concessões totais de crédito via cartão.
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Alternativas em Vigor: Implementação do teto de 100% para os juros acumulados e opção de portabilidade gratuita do saldo devedor da fatura.
Mecanismos de contenção e a portabilidade das dívidas
Para conter o efeito cascata do endividamento, medidas do Conselho Monetário Nacional (CMN) continuam moldando o ambiente bancário. A permissão para a portabilidade gratuita do saldo devedor do cartão de crédito possibilita que os clientes transfiram suas dívidas acumuladas para instituições com propostas de refinanciamento mais vantajosas.
Analistas do setor financeiro apontam que a tendência para o restante de 2026 dependerá da capacidade dos consumidores em migrar débitos para linhas mais baratas, como o crédito consignado ou o parcelado tradicional. A expectativa do mercado é que a maior concorrência entre as instituições auxilie na gradual redução do spread bancário ao longo dos próximos trimestres.
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Fonte: IstoÉ Dinheiro