Newey vê “medo do fracasso” como motivação na Aston Martin
Newey vê “medo do fracasso” como motivação na Aston Martin

Adrian Newey começou a trabalhar com a Aston Martin de maneira oficial em março e, diante da mudança de regulamento da Fórmula 1 no ano que vem, tem se dedicado totalmente ao carro de 2026. Com mais de 40 anos de carreira, o engenheiro tem um modelo de trabalho já bem definido, admitindo até mesmo que usa o “medo” como um motivador. 

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Em entrevista a Ma’aden, mineradora que patrocina o time de Silverstone, Newey explicou que “parte da motivação vem do medo do fracasso. Tentei aprender a usar isso de forma construtiva, porque é a diferença entre a pressão excessiva, ou a pressão mal administrada, causar erros ou levar a um estado de foco intenso, quase como uma visão em túnel”.

Casado desde 2017 com Amanda Smerczak, o engenheiro contou que, desde que ele se juntou ao time, a esposa tem reclamado que ele entra numa espécie de “transe do design” quando está trabalhando: “E eu entendo o que ela quer dizer, pois ‘não olho para os lados’ e provavelmente não estou sendo muito sociável”. 

“O pouco poder de processamento que eu tenho está totalmente concentrado na tarefa do momento, por causa dos prazos apertados. Mas esse não é um estado para se permanecer por muito tempo. Tudo isso soa bastante egocêntrico também. No fim das contas, trata-se realmente da equipe e de como trabalhamos juntos”, explicou. 

Newey também deu detalhes de como tem funcionado o trabalho com outros engenheiros da Aston, um grupo de cerca de 300 profissionais, destacando o papel da colaboração mas também de conversas individuais. 

“A colaboração é o aspecto mais importante e, em muitos sentidos, vale mais do que os talentos individuais dentro da organização. É sobre como todos nós trabalhamos juntos, garantindo que nos comuniquemos bem e que tiremos o máximo uns dos outros. Pessoalmente, isso significa que passo provavelmente cerca de 50% do meu dia, neste momento, trabalhando com outros engenheiros — seja em nível individual, reunidos em torno de uma estação de CAD (projeto assistido por computador), ou em reuniões”, falou. 

“Sendo honesto, geralmente prefiro a primeira opção, porque acho que as conversas um a um são, muitas vezes, onde surgem as ideias realmente criativas. As reuniões grandes, se não tivermos cuidado, acabam virando trocas de informações protocolares, sem que surjam ideias novas, o que é a parte mais importante. Então precisamos de uma combinação das duas”, acrescentou. 

Questionado sobre o carro de 2026, Newey explicou que o time está passando por “um período de transformação”, com foco em um trabalho de equipe bem feito e em alcançar prazos para que tudo seja concluído no tempo certo. 

“Estamos sob uma pressão intensa de prazos para liberar as principais partes estruturais do carro – a caixa de câmbio, o chassi, suspensão dianteira, suspensão traseira… – a tempo dos testes em janeiro. Provavelmente estou passando um pouco mais de tempo do que gostaria, cerca de 50% do meu tempo, na prancheta ou analisando o CFD (computational fluid dynamics, dinâmica de fluidos computacional, em tradução livre) e programas de dinâmica veicular, tentando garantir que estamos desenvolvendo um conceito com o qual todos fiquem satisfeitos. Nunca quero que isso aconteça sem o envolvimento e o engajamento de todos”, concluiu. 

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Fonte: Motorsport

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