10/05/2026 – 7:30
A empresa WeWork, que aluga espaços de trabalho, planeja focar na otimização dos mais de 84 mil metros quadrados de escritórios que gerencia no país, em vez de expandir seu portfólio. Essa perspectiva de estratégia de negócios vai até 2028, segundo Claudio Hidalgo, vice-presidente da empresa para a América Latina.
“Nosso foco agora é fortalecer os escritórios em funcionamento. Novas unidades serão abertas apenas em caso de negócios especiais”, explica o executivo.
Uma das apostas da empresa é o modelo de locação de espaço para uso exclusivo por parte de uma única empresa. Hidalgo diz que esse conceito está sendo explorado. “Há uma companhia, que está sob confidencialidade, com a qual estamos trabalhando nesse molde”, afirma. O espaço é construído de forma a atender às necessidades de forma específica.
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Essa estratégia faz sentido para Brasil porque é o principal mercado da companhia, com 80% do negócio. É no mercado brasileiro onde a WeWork conta com o maior número de escritórios e a maior ocupação em termos de metragem. Os profissionais também têm uma taxa de frequência maior no país do que nos países vizinhos.
Crise ficou para trás?
A WeWork superou uma crise aguda após pedir recuperação judicial nos EUA em 2023. No ano seguinte, a empresa conseguiu reestruturar contratos e gerenciar bilhões em dívidas.
Até 2019, a empresa alugou diversos imóveis em localidades “premium” ao redor do mundo, com custos altos para se manter nessas localizações privilegiadas. O isolamento social e subsequente queda nos preços dos aluguéis deixou a empresa com uma operação comprometida e um endividamento crescente.
O processo de recuperação envolveu novos acordos com proprietários e encerramento de operações em várias unidades ao redor do mundo. No Brasil, a companhia deixou de pagar o aluguel de algumas unidades e chegou a ser processada por fundos de investimentos donos dos imóveis.
No entanto, dados mais recentes divulgados pela WeWork parecem sinalizar cenários mais positivos. Em entrevista ao New York Post, o diretor global de imóveis da empresa, Peter Greenspan, afirma que sua receita subiu de US$ 2,2 bilhões em 2024 para US$ 2,3 bilhões em 2025.
WeWork ainda é líder no Brasil
Mesmo com as dificuldades, a WeWork mantém uma posição destacada no mercado brasileiro de escritórios compartilhados. Levantamento produzido pela SiiLA, plataforma de dados que reúne informações e análises sobre o mercado imobiliário, mostra que a empresa ocupa, atualmente, uma área três vezes maior do que a segunda colocada, a Regus.
Veja a área ocupada pelas maiores do setor nos últimos cinco anos:
Fonte: IstoÉ Dinheiro