O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realiza uma visita à China para se reunir com o presidente Xi Jinping, na noite desta quarta-feira (13), no horário de Brasília. O encontro ocorre em meio à guerra no Irã, iniciada por Trump no final de fevereiro, que abala as relações internacionais e a economia global.
A disputa comercial entre Washington e Pequim, agravada pela guerra tarifária lançada por Trump em abril de 2025, durante seu segundo mandato, levou a China a impor restrições à exportação de terras raras, minerais essenciais para a tecnologia e defesa dos EUA. Isso resultou em um recuo de Trump nas tarifas contra produtos chineses. A ofensiva contra o Irã, no entanto, prejudicou os interesses de Pequim, principal consumidora de petróleo iraniano, e atrasou o encontro, originalmente marcado para o final de março.
Analistas apontam que Trump chega enfraquecido à reunião. O geopolítico Marco Fernandes, do Conselho Popular do Brics, avaliou que o presidente subestimou a resistência iraniana, chegando a Pequim desmoralizado. Até o neoconservador Robert Kagan reconheceu a derrota de Trump na tentativa de derrubar o regime em Teerã. Apesar das tarifas, Xi Jinping manteve o crescimento das exportações chinesas.
A China busca pressionar Trump para encerrar a guerra no Oriente Médio. Há uma triangulação entre Pequim, Moscou e Teerã, com visitas recentes do ministro iraniano das Relações Exteriores a essas capitais para intermediar uma solução pacífica.
Outros temas em pauta incluem a venda de armas americanas para Taiwan, que Pequim considera território chinês e se opõe firmemente ao reconhecimento de sua independência. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, reiterou a posição de ‘uma só China’. O professor de Relações Internacionais José Luiz Niemeyer, do Ibmec, prevê discussões sobre limites em áreas vitais, como a influência dos EUA na América Latina, onde Trump prega proeminência contra a expansão chinesa.
As terras raras serão centrais nos debates, dada a dependência dos EUA de minerais como samário e neodímio, controlados pela China. Recentemente, Pequim aplicou sua lei anti-sanções de 2021, proibindo empresas chinesas de reconhecerem sanções americanas contra negócios com o Irã, em resposta a medidas de Washington.
Para o Brasil, analistas veem oportunidades na disputa sino-americana. O país possui a segunda maior reserva de minerais críticos do mundo, com cerca de 22%, atrás apenas da China. Niemeyer sugere uma ‘posição passiva estratégica’ para exportar esses recursos em meio às crises de fornecimento. Fernandes enfatiza a necessidade de o Brasil se posicionar soberanamente nessa disputa, dada sua relevância como parceiro comercial de ambas as potências.
Fonte: Jornal de Brasília