O presidente americano, Donald Trump, insistiu, nesta quarta-feira (24), que os países da Otan haviam “decepcionado” os Estados Unidos durante sua guerra contra o Irã, em declarações ao receber o chefe da Aliança Atlântica, Mark Rutte, na Casa Branca.
As relações no âmbito da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) se tensionaram após a ofensiva contra o Irã, que desatou um conflito regional. Trump chegou ao ponto de ameaçar deixar a Otan diante da falta de apoio às suas ações no Oriente Médio.
“Eles nos decepcionaram. Não precisávamos de ajuda nisto absolutamente. Demolimos (o Irã) literalmente na primeira semana, mas teria sido agradável que tivessem dito: ‘Gostaríamos de ajudar’”, afirmou Trump, ao se reunir com Rutte no Salão Oval, antes de voltar a criticar a Espanha, e também repreender a Itália, o Reino Unido, a Alemanha e a França.
No entanto, Trump destacou o trabalho de Rutte.
“Realmente, tem feito um bom trabalho, e acho que se qualquer outra pessoa estivesse nessa posição, nem mesmo estaríamos nos reunindo hoje, para ser sincero”, acrescentou perante os jornalistas.
As críticas de Trump à Otan ocorrem apenas duas semanas antes de os líderes dos 32 países se reunirem em uma cúpula prevista entre 7 e 8 de julho na Turquia.
Estados Unidos e Israel atacaram conjuntamente o Irã em 28 de fevereiro. Trump não consultou a Otan de antemão e importantes aliados europeus de Washington expressaram ceticismo sobre a necessidade da guerra.
O segundo mandato de Trump tem sido marcado por atritos com os aliados da Otan, inclusive por causa da Groenlândia, que o presidente americano ameaçou anexar antes de voltar atrás em janeiro após semanas de ameaças.
Washington também deixou claro para a Europa que quer que os aliados da Otan no continente assumam a responsabilidade principal por sua própria defesa, à medida que as atenções dos Estados Unidos se deslocam para a China.
Como parte deste processo, o Pentágono já comunicou aos aliados a redução dos recursos para as operações da Otan. Isto despertou o temor de que os americanos possam deixar a Europa vulnerável aos embates da Rússia.
Nesta quarta-feira, Trump voltou a criticar a Espanha, cujo governo se negou a aumentar os gastos militares em até 5% do PIB, como todo o resto da Aliança, e também proibiu à força armada americana usar bases em seu território.
“A Espanha é como um filme de terror. Terrível, não querem pagar nada. Acreditam que vai sair grátis para eles”, advertiu.
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Fonte: Jornal de Brasília