São Paulo 1×1 Boca Juniors: 6 Mundiais, 9 Libertadores e um clássico na Série B da América
São Paulo 1×1 Boca Juniors: 6 Mundiais, 9 Libertadores e um clássico na Série B da América

Num dia em que o Brasil parou diante da televisão para acompanhar uma sessão de quase oito horas no Supremo Tribunal Federal, quem ainda tinha disposição à noite encontrou outro espetáculo carregado de história. São Paulo e Boca Juniors entraram em campo pela Copa Sul-Americana para disputar um dos grandes clássicos do futebol continental.

Somados, os dois clubes carregavam para o gramado seis títulos mundiais — três de cada lado — e nove Libertadores, três do São Paulo e seis do Boca. Pouquíssimos confrontos no planeta podem reunir tantas taças, tanta tradição e tantas páginas importantes da história do futebol.

O problema é justamente onde esse clássico estava sendo disputado.

São Paulo e Boca se enfrentaram na Copa Sul-Americana, competição que, respeitadas suas virtudes e importância, ocupa o segundo escalão do futebol de clubes da América do Sul. É como encontrar dois antigos transatlânticos navegando hoje em águas muito abaixo daquelas para as quais foram construídos.

Guardadas as proporções, imagine Palmeiras e Flamengo, atualmente protagonistas do futebol brasileiro, disputando entre si um clássico pela Série B do Campeonato Brasileiro. Evidentemente, continuaria sendo Palmeiras x Flamengo. A camisa estaria lá, a rivalidade também. Mas alguma coisa muito séria teria acontecido para que dois gigantes chegassem até ali.

É esse o retrato que São Paulo e Boca oferecem hoje. O 1 a 1 desta terça-feira é quase secundário diante da dimensão histórica dos dois clubes e da distância que existe entre aquilo que eles já representaram e o momento que atravessam.

E talvez a melhor síntese da situação do São Paulo tenha aparecido depois do apito final, fora das quatro linhas. Cobrado pela atuação, Luciano desabafou. Lembrou sua longa permanência no clube, as oportunidades que teve para sair e afirmou que, apesar de ter permanecido, nunca recebeu seus salários rigorosamente em dia.

A declaração ajuda a explicar muito mais sobre a decadência de um gigante do que qualquer esquema tático.

No futebol sul-americano, técnicos são trocados com uma facilidade impressionante. Perde três jogos, muda o treinador. O time não funciona, muda o treinador. A torcida protesta, muda o treinador. Os dirigentes, porém, atravessam temporadas, acumulam decisões equivocadas, dívidas e fracassos — e quase sempre permanecem no comando ou deixam sucessores do mesmo grupo.

São Paulo e Boca Juniors têm histórias diferentes e problemas administrativos próprios, mas hoje carregam algo em comum: são gigantes tentando reencontrar um lugar que durante décadas pareceu naturalmente reservado a eles.

Talvez por isso aquele 1 a 1 tenha produzido uma imagem tão simbólica. Dentro do campo estavam seis Mundiais e nove Libertadores.

Mas o jogo era pela segunda prateleira da América.

Fonte: Jornal de Brasília

Olá, NÃO VÁ,
EMBORA AINDA!

Inscreva-se para receber as notícias em primeira mão em sua caixa de e-mail.

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Destaques Portal Standarte

Relacionadas

Menu