O hexa interrompido pelos nossos próprios erros
O hexa interrompido pelos nossos próprios erros

O sonho do hexacampeonato mundial foi, mais uma vez, adiado. Em um duelo equilibrado e dramático, a Seleção Brasileira foi eliminada da Copa do Mundo ao ser derrotada por 2 a 1 pela Noruega. A desclassificação, consumada nos minutos finais da partida, expõe uma dura e incômoda realidade: o Brasil foi castigado pelos seus próprios erros em campo, mas, acima de tudo, pela crônica desorganização que impera em seus bastidores há anos.
Dentro das quatro linhas, o confronto funcionou como um espelho da instabilidade da equipe. Sob o comando de Carlo Ancelotti, a Seleção suportou a pressão inicial dos noruegueses e chegou a controlar as ações, mas pecou gravemente na eficácia ofensiva. Logo no primeiro tempo, Bruno Guimarães desperdiçou uma cobrança de pênalti — quebrando uma marca histórica de 40 anos sem falhas da marca da cal em tempo regulamentar de Copas, desde o chute de Zico contra a França, em 1986.
O desperdício custou caro à equipe. Mesmo com uma marcação inicialmente eficiente sobre o astro Erling Haaland, que pouco tocou na bola na etapa inicial, o Brasil cedeu espaços fatais no segundo tempo. Nem mesmo as mudanças táticas surtiram o efeito desejado. O jovem Endrick perdeu uma chance claríssima de gol praticamente embaixo da trave, enquanto Neymar teve atuação apagada, anotando de pênalti apenas nos acréscimos, quando o adversário já havia liquidado a partida com dois tentos de Haaland nos raros vacilos da nossa defesa.
A dolorosa eliminação traz uma coincidência histórica com a “Tragédia do Sarriá” de 1982. Contudo, a queda de agora carrega um tom muito mais melancólico. A conclusão óbvia é de que perdemos para nós mesmos. A falta de pontaria e os apagões defensivos foram fatais, evidenciando nossa incapacidade de decidir confrontos decisivos.
No entanto, culpar apenas os atletas seria fechar os olhos para a raiz do problema. O fracasso em campo é o resultado direto do absoluto caos administrativo da CBF. Desde a eliminação em 2022 até a chegada a este Mundial, o ciclo foi marcado por uma sucessão de erros dramáticos de planejamento, trocas de comando e disputas políticas. Sendo realista, diante de tamanha desorganização estrutural, o título do hexa seria um milagre, e não a consequência de um trabalho sério. O Brasil colheu exatamente o que plantou.

A coluna na edição impressa do Jornal de Brasília

Fonte: Jornal de Brasília

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