A eliminação do Santos diante do Palmeiras na Copa do Brasil estava praticamente desenhada desde a derrota por 3 a 0 no jogo de ida. Reverter uma vantagem desse tamanho contra o líder do Campeonato Brasileiro, dono de um elenco forte, ajustado e bem treinado, exigiria uma atuação quase perfeita. O empate por 0 a 0 na Vila Belmiro apenas confirmou um desfecho que já parecia inevitável.
Mas a queda santista deixa uma imagem emblemática — e carregada de ironia — envolvendo Neymar.
No primeiro confronto, Neymar se recusou a entrar em campo alegando receio de sofrer uma lesão no gramado sintético. É uma precaução que ele adota há algum tempo, mas difícil de justificar quando se trata de um atleta profissional, contratado para defender o clube justamente nos grandes jogos e que recebe um dos maiores salários do futebol brasileiro.
O Santos precisava de Neymar naquele momento. Era fora de casa, diante de um adversário superior e numa partida decisiva. Ele preferiu não correr o risco.
Veio então o jogo da volta. Vila Belmiro lotada, torcida empurrando o time e Neymar em campo para tentar liderar uma reação que, embora improvável, alimentava alguma esperança dos santistas.
E foi justamente aí que o futebol produziu sua ironia.
Neymar, que havia ficado fora do primeiro jogo para evitar uma possível contusão no gramado sintético, sentiu uma lesão no gramado natural da própria Vila Belmiro e precisou ser substituído no intervalo.
Não se trata de dizer que Neymar deveria ignorar os riscos físicos de sua carreira. Mas o episódio expõe a fragilidade de uma escolha que deixou o Santos sem seu principal jogador justamente quando mais precisava dele. Afinal, lesões fazem parte do futebol e podem acontecer no sintético, na grama natural, no treinamento ou durante qualquer partida.
No fim das contas, o Palmeiras administrou com tranquilidade a enorme vantagem construída no primeiro confronto, enquanto o Santos deixou a Copa do Brasil sem conseguir sequer ameaçar uma reviravolta.
E Neymar protagonizou o paradoxo dessa eliminação: preservou-se onde temia se machucar e acabou machucado exatamente onde se sentia seguro.
Fonte: Jornal de Brasília