A banda brasiliense Malice apresenta ao público seu novo álbum, “Sob a Pele”, trabalho que consolida a identidade do grupo ao equilibrar riffs pesados do stoner rock com letras marcadas por introspecção e carga emocional. O lançamento chega acompanhado de clipe e reforça uma nova fase criativa da banda.
Composta por Bia Nobre (vocalista), Diego Castro (guitarrista), Vinicius Eré (baixista) e Marcelo Melo (baterista), a proposta sonora do disco evidencia um contraste que, longe de ser conflito, se tornou linguagem própria. “As minhas letras tendem a vir de um lugar mais sensível, mais emotivo, que nem sempre, a princípio, combinam com uma música mais pesada. Mas eu entendi que essa é a minha forma de escrever”, explica a vocalista e guitarrista Bia Nobre. “A gente faz músicas com riffs pesados, mas com letras mais intimistas e tá tudo bem. Virou o jeitinho Malice de compor.”
O álbum também apresenta variações de dinâmica, com faixas que transitam por momentos mais leves. Segundo os integrantes, essa diversidade amplia o alcance emocional do trabalho e aproxima o público da experiência proposta.
Entre as músicas, “Meu Jardim” se destaca ao abordar temas como autocobrança e perfeccionismo. A faixa nasce de vivências pessoais da vocalista. “É algo muito real para mim, um ‘demôniozinho’ com o qual eu tenho que lutar a vida inteira. Por muito tempo, deixei de fazer coisas por medo de não alcançar minhas próprias expectativas”, afirma Bia. “É um sentimento com o qual muitos artistas se identificam, quando o amor pelo que você faz acaba virando um peso.”
A canção também dialoga com a trajetória recente da banda. O guitarrista Diego Castro, que passou a integrar o grupo após a pandemia, se reconhece na temática. “Eu hesitei em entrar justamente por não me considerar músico profissional. Tinha esse bloqueio do perfeccionismo, de achar que não daria conta. Mas, quando a oportunidade veio, foi o momento de atravessar essa barreira”, conta.
Formada antes da pandemia, a Malice passou por mudanças significativas na formação ao longo dos últimos anos, processo que impactou diretamente sua sonoridade. Bia, que antes se dedicava apenas aos vocais, assumiu também a guitarra, enquanto a entrada de Diego trouxe novas referências, especialmente do blues e do blues rock.
“Foi uma mudança total, mas para melhor. Passei a dividir o processo criativo com alguém em quem confio muito, o que permite mais vulnerabilidade na composição”, diz Bia. Diego complementa: “Acabei trazendo influências minhas, que ajudaram a diferenciar esse álbum do primeiro trabalho da banda”.
Além da evolução musical, “Sob a Pele” também evidencia um amadurecimento artístico e pessoal dos integrantes. “Conforme a gente vai ficando mais velho, vai se importando menos com expectativa e mais com criar. A mensagem é essa: fazer, experimentar, se permitir”, resume a vocalista.
Inserida em uma cena historicamente marcada por bandas masculinas, a Malice também integra um movimento de fortalecimento feminino no rock do Distrito Federal. Para Bia, o cenário atual é mais diverso do que se imagina. “Brasília tem uma cena feminina muito forte. É uma honra dividir espaço com tantas artistas incríveis”, afirma ela, em referência a bandas como Oxy, Binarious, Xavosa, Haynna e os Verdes, Mari Camelo, Dennehy e Nasty.
Inserida em uma cena historicamente marcada por bandas masculinas, a Malice também integra um movimento de fortalecimento feminino no rock do Distrito Federal. Para Bia, o cenário atual é mais diverso do que se imagina. “Brasília tem uma cena feminina muito forte. É uma honra dividir espaço com tantas artistas incríveis”, afirma.
Ela relembra ainda o acolhimento que recebeu de outras mulheres da cena no início da trajetória da banda. “Existe esse movimento de apoio, de puxar outras mulheres junto. Eu espero conseguir perpetuar isso, porque é algo muito poderoso.”
O álbum já está disponível nas plataformas digitais, acompanhado de conteúdos visuais no YouTube, incluindo o novo clipe lançado pela banda.
Fonte: Jornal de Brasília