A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã ameaçou manter fechado o Estreito de Ormuz e bloquear outros corredores de exportação de petróleo que beneficiem os Estados Unidos e seus aliados, em meio à nova escalada de ataques entre Teerã e Washington. Em comunicado divulgado pela agência estatal Irna, o grupo afirmou que as exportações regionais de energia devem ser “compartilhadas com todos ou negadas para todos”.
Segundo a IRGC, o estreito permanecerá fechado até o que chamou de “fim dos males da América”. A ameaça ocorre após os Estados Unidos anunciarem uma nova onda de ataques contra alvos iranianos ligados à capacidade de atingir navios mercantes na região. Os militares norte-americanos informaram ter atingido dezenas de alvos perto do Estreito de Ormuz e em áreas costeiras do Irã, em operação que durou sete horas, de acordo com o Comando Central dos EUA.
A Guarda Revolucionária afirmou ainda ter atacado instalações de comando e controle, logística, combustível e equipamento militar pertencentes à Quinta Frota dos EUA no Bahrein. Também disse ter incendiado e destruído uma instalação logística americana em Mina Abdullah, no Kuwait, e atacado uma base americana em Azraq, na Jordânia, visando hangares de aeronaves. Segundo o grupo, alguns dos ataques americanos teriam sido lançados a partir de bases em território jordaniano.
Do lado americano, o presidente Donald Trump afirmou que os Estados Unidos restabelecerão o bloqueio naval ao Irã e que serão reembolsados em 20% de toda a carga transportada pelo Estreito de Ormuz. Em publicação na rede Truth Social, ele disse que o estreito “está aberto e permanecerá aberto, com ou sem o Irã” e que o processo começaria imediatamente, sem detalhar como a medida seria aplicada.
Trump também afirmou que os negociadores norte-americanos contataram seus homólogos iranianos para avisar que Teerã deveria aceitar um acordo. Em entrevista à Fox News, ele disse ainda que os Estados Unidos poderiam atingir centrais elétricas e pontes iranianas caso o país não retome as negociações.
A tensão provocou nova reação nos mercados. O preço do barril de Brent chegou a ultrapassar os US$ 87 na terça-feira, após o anúncio de ataques americanos, antes de cair para US$ 78 depois das declarações de Trump. O estreito é uma das principais rotas do petróleo mundial, e o bloqueio da passagem pelo Irã elevou as preocupações com o abastecimento e com a inflação global.
Fonte: Jornal de Brasília