24/06/2026 – 16:56
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Márcio Fernando Elias Rosa, afirmou nesta quarta-feira, 24, garantir melhores preços para o consumidor e fortalecer a indústria automotiva nacional são as principais razões do governo para renovar, por seis meses, as cotas de importação com alíquota zero para veículos elétricos e híbridos desmontados (CKD) e semidesmontados (SKD).
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“O governo federal tomou essa decisão ontem não foi para causar dano para produção nacional, ao contrário, é para favorecer sobretudo o consumidor, o mercado”, disse Rosa, em entrevista ao programa Bom dia, ministro.
A medida terá validade por seis meses a partir de 1º de julho e contempla um limite de US$ 463 milhões em veículos nos regimes CKD e SKD, que permitem a montagem final dos automóveis no Brasil.
A decisão provocou protestos da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e da Fiesp, que apontam impactos negativos sobre a produção local. Representantes da indústria brasileira afirmam que a medida dá uma vantagem econômica para marcas que se valem mais da montagem de kits importados no país do que da produção local com fornecedores e insumos nacionais, como a BYD.
“Essa decisão foi tomada porque essas montadoras estão se instalando no país para produzir. Tem uma lá em São Paulo, tem outra na Bahia que já estão começando a produzir veículos híbridos, híbridos flex, aqui no país, o que é bom para oferta, tanto para o mercado quanto para geração de emprego e de renda”, disse o ministro.
Sobre as críticas das montadoras tradicionais, ele afirma que só acessará as linhas de financiamento quem fabricar no país. Segundo o ministro, o Brasil tem uma série de medidas para acomodar todos os interesses que são legítimos.
A Anfavea declarou declarou que a manutenção das cotas de importação a veículos elétricos com alíquota zero pode prejudicar fabricantes instalados no Brasil, trabalhadores e empresas nacionais de autopeças.
Entenda a tributação para carros importados e desmontados
O Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex) aprovou a manutenção do cronograma de elevação das tarifas de importação para veículos elétricos e híbridos, mas estabeleceu cotas adicionais de importação com alíquota zero para os eletrificados por um prazo de seis meses a partir de julho do ano que vem. Veja aqui o comunicado.
Os veículos eletrificados semidesmontados (SKD) terão a tarifa de importação elevada para 35% a partir de julho. Já os modelos desmontados (CKD) continuarão com alíquota de 14% até o fim de 2026, passando também para 35% em janeiro de 2027.
“O governo federal tem intensificado e fortalecido muito a indústria automotiva no Brasil. Quem quiser montar, fabricar, produzir aqui no país encontra vantagens em instrumentos de fomento, de apoio. Mas [o país] também não criou uma barreira para a importação”, acrescentou Márcio Elias Rosa.
De acordo com o ministro, o Brasil começou cronograma de elevação do imposto de importação, que vai chegar, em janeiro do ano que vem, a 35% para todos os veículos.
“Havia pressão para que reduzíssemos o imposto de importação, para que não acontecesse agora o aumento, porque, a partir de 1º de julho é que sobe para 35%. Isso foi mantido.”
Para a Anfavea, ao prolongar benefícios que haviam sido criados como temporários, o governo coloca em xeque a confiança de empresas que ajustaram seus planos de investimento contando com as regras pactuadas inicialmente. “As cotas para importação de kits de veículos elétricos terminaram em fevereiro de 2026, conforme definido no ano passado pelo governo após longo debate com o setor produtivo. Agora, a mudança ocorre em detrimento do interesse de empresas e de milhares de trabalhadores espalhados por nove Estados do país”, disse a associação.
Procurada pela IstoÉ Dinheiro, a BYD não comentou a decisão.
Fonte: IstoÉ Dinheiro