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A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, reafirmou que a Groenlândia “não está à venda” após novas ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ao chegar ao segundo dia da cúpula da Otan, em Ancara, ela disse estar preparada para defender “cada centímetro” da Aliança, incluindo o território groenlandês.

Frederiksen foi questionada sobre o fato de Trump ter voltado a insistir que a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, deveria ser controlada por Washington, sugerindo novamente a possibilidade de retirar todas as tropas da Europa. Em resposta, ela reiterou esperar que “todos os aliados respeitem o direito do povo groenlandês à autodeterminação” e afirmou: “Somos um povo soberano e precisamos que todos respeitem a nossa integridade territorial”.

Interrogada se a Dinamarca está preparada para defender militarmente a Groenlândia, caso seja necessário, a primeira-ministra disse que está pronta para defender cada centímetro da Otan, incluindo o território dinamarquês. Frederiksen também lembrou o artigo 5º do tratado da organização, segundo o qual, se algo acontecer a um dos membros, os demais devem defender os restantes.

A premiê afirmou ainda que o artigo 5º se aplica ao flanco leste da Otan, em razão da guerra na Ucrânia, e citou que a cláusula também serviu aos EUA após os ataques terroristas de 11 de setembro e valeria para a Groenlândia “se algo acontecer”. Questionada sobre o compromisso dos Estados Unidos com o artigo, respondeu: “Não ouvi que os EUA não estejam comprometidos”.

Na mesma declaração, Frederiksen disse que não conseguiria assegurar seu povo sem a Otan e afirmou que o mesmo vale para os EUA. Segundo ela, é por causa da aliança que o “povo transatlântico” pode estar em segurança, e isso continuará no futuro. A primeira-ministra também destacou que o mundo se tornou “mais inseguro” e defendeu uma Otan “mais forte”, com prioridade para o rearmamento da Europa, o fortalecimento da base industrial no continente e nos EUA, além do reforço ao apoio à Ucrânia.

Ainda na chegada à cúpula, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, afirmou que o mundo assiste a uma alteração nas responsabilidades da Otan, com maior participação de europeus e do Canadá. Ele disse que essa mudança nos encargos, com redução do investimento por parte dos EUA, também era defendida por Barack Obama e considerou que isso é apropriado. Carney também comentou os ataques norte-americanos a alvos iranianos, dizendo que o Irã tem agido de forma irresponsável e que houve “resposta apropriada”.

Fonte: Jornal de Brasília

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