09/05/2026 – 13:00
O consumo de drinks prontos enlatados ou RTDs (ready to drink, ou pronto para beber, em tradução livre) cresceu 34,5% no primeiro trimestre de 2026, em relação ao mesmo período de 2025. Por outro lado, o consumo de cerveja decaiu 6,2%, no mesmo período de referência. Essa mudança no comportamento do consumidor foi capturada pela plataforma de pagamentos Zig.
A comparação considerou 435 estabelecimentos no estado de São Paulo, entre bares, restaurantes e casas noturnas. Os dados apontam ainda uma queda de 5,7% no número de pedidos de bebidas alcoólicas, maior do que a redução de 2,7%.
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Em números absolutos, os pedidos de RTDs cresceram de 166.853 unidades para 224.596, um crescimento de 57.743. Ao mesmo tempo, houve um recuo de 156.004 nos pedidos de cerveja, que saíram de 2.503.101 para 2.347.097.
Diretor de Growth e Marketing da Zig, Carlos Galdino aponta que a redução de pedidos está inserida em um contexto mais amplo. “É difícil apontar uma causa com certeza, porém nós sabemos que o país está batendo recordes de endividamento”, diz, acrescentando que o mercado de entretenimento é o primeiro a sofrer com cortes de gastos feitos pela população.
Apesar da variação percentual negativa, a cerveja segue a bebida alcoólica preferida em SP. Em seguida aparece o gim (330.050), a cachaça (271.125), os RTDs (224.596) e, por fim, a vodka (210.446).
Entre as cervejas, a Heineken segue a preferida, com 1,03 milhões de pedidos no 1º trimestre de 2026, seguida pela Brahma (428 Mil) e a Original (391 Mil).
O estudo não apresenta um ranking das RTDs. Alguns nomes populares no mercado do segmento incluem as marcas Skol Beats, da Ambev; Sminorf Ice, da Diageo; Amstel Vibes, da Heineken; e opções de negócios menores locais como os mineiros Xeque Mate e Mascate e o carioca Mate Shine.
As mudanças no mercado para além da cerveja
Pesquisa de 2025 do CISA (Centro de Informações sobre Saúde e Álcool) indicou que 64% dos brasileiros declararam não consumir álcool. O número representa um crescimento em relação aos 55% registrados dois anos antes.
“Essa mudança não é por acaso. A galera, principalmente os mais novos da Geração Z, está trocando a balada pesada pelo foco na saúde, no sono e na academia”, afirma o professor professor Flávio Bizarrias, da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing).
“No fim das contas, a cerveja parou de ser a escolha automática em todo churrasco e passou a dividir espaço com a água, o suco e as versões zero.”
O professor aponta que, com os celulares sempre a postos para agravar, as “bebedeiras” perderam espaço em novas formas de socialização que priorizam autocontrole, além de cuidados com a saúde e com o corpo.
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A geração Z é hoje a segunda que mais consome nos bares monitorados pelo estudo, com 34,1% dos pedidos. Em primeiro lugar aparecem os Millennials, com 48,2%. Geração X (15,5%) e Boomers (2,2%) completam o quadro.
O avanço dos RTDs
Já o fortalecimento dos drinks prontos aparece em um contexto de busca por maior praticidade e conveniência. Além disso, seu consumo foi impulsionado pela crise do metanol no ano passado, que levou parte do público a trocar os drinks preparados pela casa pelas opções prontas.
“É um movimento que já seria natural ao mercado, mas que foi muito acelerado porque RTDs era o que dava para consumir sem receio por toda a cadeia produtiva que ele tem”, explica Galdino.
Fonte: IstoÉ Dinheiro