CazéTV pode perder a Copa de 2030; mercado há tempos já denunciava concorrência desleal
CazéTV pode perder a Copa de 2030; mercado há tempos já denunciava concorrência desleal

A possibilidade de a CazéTV enfrentar dificuldades para transmitir a Copa do Mundo de 2030, reacendeu um debate que a coluna Futebol Etc já havia levantado desde o ano passado. Integrantes da FIFA estariam demonstrando desconforto com a estrutura da LiveMode, empresa que controla a CazéTV e que também atua na compra e na venda de direitos esportivos.

Recorde-se que o tema foi tratado aqui com exclusividade, em novembro de 2025. Na época, executivos de emissoras e plataformas concorrentes relataram, sob reserva, uma crescente insatisfação com o modelo adotado pela LiveMode. O argumento era simples: a mesma empresa que negocia direitos de transmissão também controla a principal vitrine digital beneficiada por esses acordos, a CazéTV.

Segundo esses dirigentes, a concentração de funções criava uma vantagem competitiva considerada excessiva. O talento e a popularidade de Casimiro Miguel jamais foram colocados em dúvida, mas a percepção no mercado era de que a CazéTV desfrutava de oportunidades às quais outros players dificilmente teriam acesso. “É desleal”, resumiram, à época, executivos ouvidos pela coluna.

Ainda em 2025, fontes do setor afirmavam que a própria FIFA observava com atenção o arranjo. A entidade havia concedido à LiveMode os direitos de negociação da Copa masculina de 2026 e da Copa feminina de 2027, no Brasil, deixando aberta uma reavaliação futura.

Agora o desconforto chegou aos corredores da Copa disputada nos Estados Unidos. Membros da FIFA enxergariam um potencial conflito de interesses entre a FFU (Futebol Forte União), a LiveMode e a CazéTV, combinação que poderia complicar as negociações dos direitos do Mundial de 2030, que será realizado por Espanha, Portugal e Marrocos.

Nada disso significa que a CazéTV esteja fora da disputa – pelo menos por enquanto. O canal criado por Casimiro foi responsável por quebrar, em 2022, o monopólio de mais de duas décadas da Globo nas transmissões da Copa do Mundo e consolidou uma nova forma de consumo esportivo. Mas o debate sobre governança e concentração de poder, que antes se restringia às conversas reservadas entre executivos brasileiros, agora parece ter alcançado também a principal entidade do futebol mundial.

Fonte: Jornal de Brasília

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