diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues,
diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues,

O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, afirmou nesta sexta-feira, 26, que a corporação irá até o limite nas investigações sobre a fraude contábil na varejista Americanas, que provocou um rombo bilionário na empresa.

+ Bilionários dizem que foram surpreendidos com a operação da PF 

Na véspera, a PF cumpriu diversos mandados de busca e apreensão contra suspeitos de envolvimento na fraude detectada em 2023, incluindo os empresários Paulo Alberto Lemann e Carlos Alberto Sicupira e executivos dos bancos Santander Brasil, Bradesco e Itaú Unibanco, segundo fontes com conhecimento da operação.

Rodrigues afirmou que foram apreendidos documentos, celulares e outros dispositivos eletrônicos na segunda fase da Operação Disclosure, que podem aprofundar as apurações sobre a suposta fraude da ordem de R$54 bilhões.

“O importante é dizer que vamos procurar exaurir tudo aquilo que temos que investigar em relação a esse caso (Americanas). Isso não quer dizer que seja um inquérito interminável, mas que muitas vezes tem desdobramentos”, disse ele a jornalistas durante evento promovido pela associação Encontro com a Imprensa Internacional (AIE).

“Nesse caso, cumprimos uma etapa ostensiva da investigação, com o recolhimento de documentos, celulares e computadores que podem eventualmente trazer novas informações”, acrescentou.

Em comunicado, a Americanas afirmou que não foi alvo da operação e que colabora com as investigações. Já os acionistas de referência da varejista disseram em nota à imprensa que foram surpreendidos com a operação da PF e que as investigações indicam que eles foram “continuamente enganados e induzidos a erro pela antiga diretoria da companhia”.

Itaú, Santander e Bradesco afirmaram colaborar com as investigações sobre o caso Americanas, ressaltando não serem alvos de apuração.

A operação desta semana é a segunda etapa da Operação Disclosure, cuja primeira fase ocorreu em junho de 2024, após a revelação da fraude contábil que levou a Americanas à recuperação judicial, e permitiu um aprofundamento das linhas de investigação iniciais.

Segundo as apurações, conforme uma das fontes, os fatos teriam ocorrido ao longo de vários anos e envolveriam supostas manipulações contábeis destinadas a ocultar a real situação econômico-financeira da empresa. As medidas cautelares têm por objetivo aprofundar a coleta de provas, individualizar as responsabilidades e preservar a possibilidade de reparação de eventuais prejuízos decorrentes dos fatos investigados.

A Americanas entrou em recuperação judicial em janeiro de 2023 após a descoberta de um rombo contábil de R$ 20 bilhões, referente a exercícios anteriores – incluindo o ano de 2022, com dívidas no valor aproximado de R$ 40 bilhões.



Fonte: IstoÉ Dinheiro

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