08/06/2026 – 15:55
A Apple lançou nesta segunda-feira, 8, uma nova versão da assistente digital Siri equipada com inteligência artificial e capaz de analisar o que aparece na tela do dispositivo e buscar mais informações na internet.
Chamado de “Siri AI”, o software também terá seu próprio aplicativo dedicado, informou a Apple durante a Conferência Mundial de Desenvolvedores (WWDC) da empresa, realizada na sede da companhia em Cupertino, Califórnia.
+ Aos 50 anos, Apple precisa enfrentar novo desafio: a IA
A Siri AI possui o que a Apple chama de “amplo conhecimento do mundo”, o que permite apresentar ao usuário mais detalhes da internet em resposta a uma consulta.
Os usuários também poderão consultar uma conversa anterior com a Siri e a assistente será capaz de encontrar informações como o endereço de um amigo enviado em uma mensagem, mesmo que essa informação não tenha sido formalmente salva, disseram executivos da Apple.
“Uma IA verdadeiramente útil deve estar centrada em você e nas suas necessidades”, disse Craig Federighi, chefe de software da Apple. “Isso significa integrar a IA profundamente aos produtos que você usa todos os dias, fundamentando-a no seu contexto pessoal e nos aplicativos dos quais você depende, e projetando-a com privacidade em cada etapa. Essa é a nossa visão para a Apple Intelligence.”
O presidente-executivo da Apple, Tim Cook, disse que a WWDC deste ano terá como foco a Apple Intelligence e a Siri.
O novo sistema operacional iOS 27 da Apple será compatível com os modelos do iPhone 11, informou a empresa, acrescentando que a próxima versão do MacOS se chamará “Golden Gate”.
O que é a Siri AI
A Siri AI é uma nova versão da Siri profundamente integrada ao iPhone, iPad, Mac, Apple Watch e Apple Vision Pro.
“Ela consegue usar a compreensão do contexto pessoal para buscar em mensagens, e-mails, fotos e muito mais, além de realizar tarefas em apps com ainda mais ações de apps em todo o sistema. A Siri AI também consegue responder a perguntas relacionadas ao conteúdo exibido na tela ou buscar na web informações atualizadas usando seu amplo conhecimento do mundo e gerar uma resposta útil”, afirma a Apple no material de apresentação. Saiba mais aqui.
Apple tenta recuperar espaço na corrida da IA
A Apple vem buscando diminuir a diferença em relação a rivais como Microsoft e Google, da Alphabet, que avançaram mais rapidamente na incorporação de “agentes” de IA — software capaz de realizar tarefas complexas — à computação cotidiana.
Mas, na corrida pela IA, a Apple possui algo que poucos de seus concorrentes têm: chips potentes em muitos de seus telefones e laptops que podem executar agentes de IA gratuitamente, pois os consumidores já pagaram pelo poder de computação ao comprar o dispositivo. A Apple também possui um enorme acervo de dados pessoais armazenados nos iPhones.
A questão é até onde a Apple está disposta a ir. A empresa há muito mantém um controle rígido sobre seu software e os dados dos usuários, e tem adotado uma abordagem cautelosa em relação à IA, apoiando-se em parte em parcerias, incluindo com os modelos Gemini, do Google, para impulsionar novos recursos.
Essa cautela contrasta com os concorrentes que apostam em agentes de IA que podem, eventualmente, substituir os aplicativos tradicionais e remodelar a forma como as pessoas usam seus dispositivos. Rivais como a Microsoft têm sugerido um futuro em que “agentes” de IA substituirão os sistemas operacionais e aplicativos tradicionais, e a Nvidia está trabalhando com fabricantes de PCs para oferecer laptops que competem diretamente com os próprios MacBooks de ponta da Apple.
“Os agentes são fundamentais, pois podem se tornar o principal ponto de contato na forma como os consumidores interagem com seus dispositivos”, disse Tarun Pathak, diretor de pesquisa da Counterpoint Research. “A era da IA agêntica pode se desenrolar de maneira muito diferente do que imaginamos, mas é um risco grande demais para deixar passar, e a Apple precisa agir rapidamente.”
A abordagem mais cautelosa da Apple, no entanto, fez com que a empresa evitasse até agora os investimentos maciços em centrais de processamento de dados observados nos concorrentes. Mas agora a companhia pode estar mudando de rumo, com o diretor financeiro, Kevan Parekh, afirmando na última teleconferência sobre resultados da Apple que a empresa encerrará a antiga meta de devolver o caixa excedente diretamente aos acionistas, sinalizando espaço para maiores investimentos.
Fonte: IstoÉ Dinheiro