Banco Central rola US$ 2,5 bilhões em leilões de swap cambial nesta quinta-feira (20)
Banco Central rola US$ 2,5 bilhões em leilões de swap cambial nesta quinta-feira (20)

Impulsionado pelo apetite das famílias, saldo avança no início do segundo semestre de 2026, mas calotes e comprometimento de renda exigem cautela das mesas de operação.

O volume total de crédito concedido no Brasil alcançou a expressiva marca de R$ 7,4 trilhões em julho de 2026, registrando alta de 0,3% no mês e 9,5% no acumulado de 12 meses. Os dados divulgados nesta sexta-feira (28) pelo Banco Central revelam um mercado operando em duas velocidades distintas: enquanto o consumo das pessoas físicas sustenta a expansão da carteira nacional, o setor corporativo apresenta forte retração estratégica. Paralelamente, o avanço do calote global no país eleva a temperatura de risco entre grandes bancos e analistas macroeconômicos.

A resiliência no crédito direto evidencia uma dependência estrutural do capital das famílias para girar a roda do varejo. Ao mesmo tempo, o recuo na tomada de empréstimos pelas empresas expõe uma postura defensiva na proteção de caixa, refletindo incertezas globais persistentes e os custos de captação ainda onerosos na dinâmica econômica de 2026.

A dinâmica de originação de contratos no início do segundo semestre mostra que as pessoas físicas (PF) puxaram sozinhas a alavancagem nacional. O saldo de financiamentos e empréstimos para este segmento saltou 0,8% em julho, batendo os R$ 4,6 trilhões (com expansão agressiva de 10,8% em um ano). Em direção oposta, o crédito destinado a pessoas jurídicas (PJ) registrou recuo de 0,7% no mesmo período, estacionando na faixa de R$ 2,7 trilhões.

O segmento de recursos livres (onde as taxas e condições são definidas livremente pelos bancos, sem subsídios) ilustra perfeitamente o freio de mão puxado pelas corporações. A carteira corporativa neste recorte encolheu expressivos 1,9% no mês. Executivos de finanças (CFOs) têm optado claramente por desidratar o passivo para preservar margens de lucro, evitando comprometer os balanços com juros de mercado.

Para a leitura cirúrgica do risco setorial, os indicadores-chave de julho de 2026 trazem os seguintes marcos:

  • Taxa de Juros (PF): Sofreu recuo pontual, descendo para o patamar de 60% ao ano no ambiente de crédito livre.

  • Crédito Ampliado às Empresas: O saldo retraiu 0,3% no mês, somando R$ 7,2 trilhões, o que corresponde a 54,4% do PIB nacional atual.

  • Endividamento Familiar: Estacionou na faixa perigosa de 49,8% (com base em dados revisados de junho), engessando o poder de consumo futuro.

A conta do forte avanço do crédito pessoa física já começa a ser cobrada na qualidade dos ativos bancários. A inadimplência da carteira total do Sistema Financeiro Nacional (SFN) subiu 0,3 ponto percentual em julho, alcançando o patamar consolidado de 4,9%. No recorte histórico de 12 meses, a alta é robusta, totalizando 0,9 ponto percentual e confirmando o esgotamento progressivo do orçamento doméstico.

No ambiente de recursos livres, onde o apetite ao risco dos bancos é cobrado nas taxas de juros, o nível de atrasos superiores a 90 dias chega a alarmantes 6,4%. Entre os consumidores (PF), o índice salta direto para 7,8%. Nas empresas, refletindo o recuo planejado na captação, o índice de calotes flutua em um terreno mais seguro, a 4,2%. O núcleo da pressão reside no comprometimento direto de renda da população, que subiu acelerado para 28,9%.

Diante do xadrez monetário, o ambiente restritivo deve provocar uma resposta imediata das tesourarias e diretorias de crédito até o fim de 2026. A tendência esperada por especialistas é o aumento das Provisões para Devedores Duvidosos (PDD) nos balanços do terceiro trimestre, além de um endurecimento profundo nos algoritmos de concessão para as famílias. A liquidez existe, mas os bancos tradicionais já demonstram que pisarão no freio para não comprometer a saúde e o caixa institucional nos meses finais do ano.

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Fonte: IstoÉ Dinheiro

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