Reino Unido propõe aceitar stablecoins em pagamentos, mas alerta para riscos atuais
Reino Unido propõe aceitar stablecoins em pagamentos, mas alerta para riscos atuais

Em entrevista, CEO da Jeeves destaca a transição definitiva de moedas digitais emparelhadas ao dólar para a liquidação de operações transfronteiriças corporativas com menor custo e fricção.

O que aconteceu

  • Mudança estrutural: As stablecoins deixaram o nicho de especulação cripto e assumiram o papel de infraestrutura primária para pagamentos corporativos internacionais (cross-border).

  • Eficácia operacional: Transações entre empresas que dependiam do sistema bancário correspondente tradicional (SWIFT) agora são liquidadas em segundos, reduzindo taxas operacionais em até 80%.

  • Visão executiva: Segundo Dileep Thazhmon, CEO da fintech global Jeeves, a adoção empresarial atingiu um ponto de não retorno, impulsionada pela busca por liquidez em dólar e eficiência de capital de giro.

  • Segurança jurídica em 2026: A consolidação do marco regulatório do Banco Central do Brasil para corretoras e custodiantes de criptoativos (VASPs) traz respaldo para a integração das tesourarias corporativas aos ativos digitais.

Durante décadas, o comércio internacional entre empresas foi refém da complexa rede de bancos correspondentes do sistema SWIFT. O modelo tradicional envolve intermediários múltiplos, tarifas operacionais opacas, margens cambiais elevadas e prazos de liquidação que costumam variar entre três e cinco dias úteis. Em 2026, esse paradigma sofreu uma ruptura irreversível com a maturação das stablecoins — ativos digitais com paridade de valor atrelada a moedas fiduciárias de forte liquidez, em especial o dólar americano (USDT e USDC).

A avaliação de Dileep Thazhmon, CEO e fundador da Jeeves — plataforma global de pagamentos e crédito corporativo —, aponta para uma transformação pragmática. As corporações não adotam stablecoins por apelo tecnológico ou ideologia de descentralização, mas sim por estrita necessidade financeira. A possibilidade de transferir milhões de dólares em valor entre continentes no meio da noite ou em finais de semana, com liquidação final em segundos e custo de fração de centavo, desbancou as arquiteturas bancárias legadas.

A Jeeves e outras fintechs de infraestrutura financeira vêm conectando a ponta blockchain às contas bancárias locais. Na prática, uma empresa no Brasil pode emitir uma ordem de pagamento em reais, converter a transação instantaneamente em stablecoin para travamento de taxa cambial, e o fornecedor na Ásia ou nos Estados Unidos recebe os fundos diretamente em sua moeda local em questão de minutos.

A América Latina tornou-se o principal laboratório e motor de expansão para esse novo trilho financeiro. Em economias expostas à volatilidade cambial e com restrições severas de acesso a linhas de crédito em dólar, as stablecoins funcionam como um instrumento direto de proteção patrimonial (hedge) e de viabilização do capital de giro.

No Brasil, o cenário em 2026 é marcado pela maturidade institucional. A regulamentação promovida pelo Banco Central do Brasil sobre as prestadoras de serviços de ativos virtuais (VASPs), aliada aos avanços da plataforma DREX, eliminou a zona cinzenta que antes afastava os diretores financeiros (CFOs) das grandes e médias empresas. A clareza quanto às obrigações de compliance, prevenção à lavagem de dinheiro (PLD) e integração fiscal permitiu que departamentos de tesouraria tratassem as stablecoins não como ativos exóticos, mas como disponibilidades equivalentes de caixa.

À medida que gigantes globais de pagamentos e bancos de primeira linha passam a rodar seus próprios nós de liquidação na blockchain, a migração dos fluxos comerciais B2B tende a acelerar. O ecossistema financeiro internacional caminha para uma realidade em que a infraestrutura subjacente de uma transferência bancária internacional será invisível para o usuário final, operando 100% sobre trilhos tokenizados.

Guia Corporativo: Como utilizar stablecoins em pagamentos globais

Para empresas que buscam otimizar suas operações de importação, exportação ou contratação de serviços internacionais em 2026, veja as recomendações práticas de segurança e conformidade:

  • Trabalhe com parceiros institucionais regulados: Evite realizar operações B2B por meio de carteiras não custodiais simples ou transações P2P informais. Utilize plataformas de pagamento corporativo ou VASPs devidamente autorizadas pelo Banco Central do Brasil.

  • Priorize stablecoins com reservas auditadas: Ao estruturar operações em dólar digital, opte por emissores que apresentem atestações públicas e diárias de suas reservas em títulos do Tesouro norte-americano ou caixa equivalente (como USDC e USDT).

  • Mantenha a conformidade cambial e fiscal: O uso de stablecoins não exime a empresa do registro de operações de comércio exterior. Assegure-se de que a plataforma utilizada gere os comprovantes necessários para escrituração contábil e prestação de contas à Receita Federal e ao Bacen.

  • Automação de trava de câmbio: Para evitar exposições à variação no preço do ativo durante o processamento, utilize ferramentas que realizem a conversão automática (auto-convert) no momento exato do envio ou do recebimento dos fundos.

  • Integração com o ERP de tesouraria: Conecte as APIs das plataformas de pagamentos digitais diretamente ao sistema de gestão financeira da empresa para manter a reconciliação bancária em tempo real e mitigar riscos de erros manuais.

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Fonte: IstoÉ Dinheiro

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