Rota Mogiana
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O mercado acionário brasileiro vivencia um momento de transição estrutural na dinâmica de fluxo de capital. Após períodos de volatilidade marcados por saídas de investidores institucionais, a tese de uma “terceira onda” de apetite estrangeiro pela B3 ganha força entre as principais gestoras do país.

Em recente análise detalhada pela InfoMoney a partir das projeções de João Luiz Braga, socio e gestor da Encore Asset Management, o movimento de alocação de fundos globais no Brasil evoluiu de uma estratégia generalista para um exercício rigoroso de stock picking focado em teses de alto retorno sobre o capital investido (ROIC) e dominância de mercado.

O Conceito da Terceira Onda e a Dinâmica Global

A leitura da Encore Asset divide o ciclo recente do capital estrangeiro na bolsa brasileira em três fases distintas:

  • Primeira Onda: Characterizada pelo fluxo macroeconômico direcional e passivo, guiado por índices globais e pela rotação de commodities.

  • Segunda Onda: Focada na recuperação de valuations descontados (value investing tradicional) em setores consolidados e pagadores de dividendos.

  • Terceira Onda (Atual): Marcada pela seletividade extrema. O capital internacional migra para empresas com capacidade comprovada de reajuste de preços (pricing power), vantagens competitivas estruturais (moats) e resiliência frente a cenários de juros globais mais altos por mais tempo.

Essa dinâmica se insere no contexto do chamado efeito Dollar Smile: em cenários onde a economia norte-americana demonstra força com juros elevados, o dólar se valoriza globalmente. Para atrair o capital gringo para mercados emergentes como o Brasil, os ativos locais precisam oferecer um prêmio de risco desproporcionalmente atraente e fundamentos operacionais impecáveis.

As Três Pilares da Carteira: Smart Fit, Nubank e Localiza

A tese da Encore Asset, repercutida no mercado financeiro, destaca três papéis de destaque que exemplificam a preferência do investidor estrangeiro institucional nesta fase do ciclo:

1. Smart Fit (SMFT3): Escala e a Tese do TotalPass

A rede de academias destaca-se como uma tese clássica de consolidação de mercado. A escala operacional permite diluição de custos fixos e margens Ebitda crescentes. O diferencial estratégico reside no avanço do TotalPass, plataforma de benefícios corporativos que atua como um motor de receita recorrente de alta margem, criando uma barreira de entrada relevante para concorrentes regionais.

2. Nubank (NU / ROXO34): Eficiência Operacional e Basileia

Apesar de negociado em múltiplos que exigem entrega de crescimento contínuo, a tese sobre o Nubank apoia-se no custo de servidão (cost-to-serve) extraordinariamente baixo em comparação aos grandes bancos incumbentes. A eficiência operacional aliada à expansão da carteira de crédito colateralizada e à otimização da alocação de capital regulatório (Índice de Basileia) sustenta a tese de rentabilidade sustentável (ROE) acima da média do setor bancário latino-americano.

3. Localiza (RENT3): Spread de ROIC e Repasse de Inflação

No setor de aluguel de carros e gestão de frotas, a Localiza representa o ativo de qualidade (quality stock) por excelência. A companhia demonstra capacidade de manter o spread entre o seu ROIC (Retorno sobre o Capital Investido) ajustado e o seu custo de dívida, mesmo sob condições de Selic elevada. A gestão eficiente da depreciação da frota e a força de compra junto às montadoras garantem a manutenção de sua dominância.

Uma visão rápida e profissional comparando as teses centrais de investimento, vetores de crescimento e barreiras competitivas (‘moats’) para a Smart Fit, Nubank e Localiza, preparada para leitores e investidores da IstoÉ Dinheiro.

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Considerações de Alocação e Cenário Macro

A tese defendida por João Luiz Braga e reportada originalmente pela InfoMoney ressalta que a “terceira onda” de investimentos não depende de um ciclo cego de queda de juros para se materializar. Pelo contrário: trata-se de um movimento de alocação em ativos resilientes que conseguem entregar crescimento real de lucros independentemente da volatilidade do cenário macroeconômico doméstico.

Para a IstoÉ Dinheiro, o acompanhamento dessa movimentação de capital sugere que os investidores locais que buscam alinhar suas carteiras ao fluxo institucional global devem focar na qualidade operacional dos balanços e na capacidade de geração de caixa das companhias, em detrimento de apostas meramente especulativas baseadas em turnarounds incertos.

Créditos:

Esta análise toma como referência as declarações do gestor João Luiz Braga (Encore Asset Management) colhidas e publicadas em entrevista exclusiva pelo portal InfoMoney.



Fonte: IstoÉ Dinheiro

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