A eliminação do Brasil na Copa do Mundo provocou uma dura análise no tradicional jornal esportivo italiano La Gazzetta dello Sport. Em vez de concentrar as críticas apenas nos jogadores, na comissão técnica ou na CBF, a publicação aponta outro responsável pelo fracasso: a forma como parte da imprensa brasileira construiu uma realidade distante do futebol apresentado pela Seleção.
Na avaliação do jornal, o Brasil chegou ao Mundial cercado por um clima de euforia que não encontrava respaldo dentro de campo. A volta de Neymar foi transformada em espetáculo, Endrick recebeu comparações precoces com lendas como Pelé, Messi e Lamine Yamal, e a equipe passou a ser tratada como favorita ao hexacampeonato, apesar dos resultados irregulares e das limitações demonstradas ao longo do ciclo.
A publicação também critica o ambiente criado em torno da Seleção, afirmando que influenciadores passaram a ocupar o espaço da análise e que parte da imprensa preferiu alimentar expectativas em vez de discutir os problemas estruturais do time. O resultado, segundo o jornal, foi um país convencido de que o hexa estava próximo, enquanto a realidade mostrava uma equipe incapaz de competir em igualdade com as principais potências do futebol mundial.
A análise italiana lembra ainda que o Brasil atravessa um período de instabilidade na CBF, marcado por sucessivas trocas de presidentes e treinadores, além de uma perda evidente de identidade dentro de campo. O chamado “jogo bonito”, símbolo da Seleção durante décadas, deu lugar a um futebol burocrático, sem criatividade, personalidade e capacidade de controlar as partidas.
Os números reforçam essa avaliação. Contra a Noruega, o Brasil terminou a partida com apenas 34% de posse de bola – o menor índice da história da Seleção desde que esse tipo de estatística passou a ser registrado. Também trocou menos da metade dos passes do adversário, um retrato da inferioridade técnica apresentada na eliminação.
Ao reafirmar a permanência de Carlo Ancelotti até 2030, a CBF admite, na prática, que será necessário iniciar um novo ciclo. Para o jornal italiano, a reconstrução passa não apenas por mudanças dentro de campo, mas também por uma revisão da maneira como o futebol brasileiro é tratado fora dele.
Nossa opinião
Vale a pena prestar atenção nesse alerta. A Itália sabe exatamente como é perder o protagonismo no futebol mundial. Tetracampeã do mundo, a Azzurra viveu o trauma de ficar fora de três Copas consecutivas e conhece como poucos o caminho que leva uma potência ao fundo do poço. Justamente por isso, quando um jornal italiano afirma que o Brasil está sendo enganado por ilusões criadas em torno da Seleção, talvez não esteja apenas criticando. Pode estar deixando um aviso para quem ainda acredita que a camisa, sozinha, continua ganhando Copa do Mundo.
Fonte: Jornal de Brasília