Os números do jogo entre Flamengo e Cruz Azul, nesta quarta-feira (10)escancaram uma virada clara no campo digital. Na transmissão pelo YouTube, o canal GE TV alcançou 2,2 milhões de espectadores simultâneos, enquanto a CazéTV registrou 1,1 milhão. Não se trata de audiência de televisão aberta, nem de Ibope tradicional, mas de público conectado em tempo real nas plataformas digitais.
A diferença é expressiva. Na lógica do ambiente online, onde cada clique conta e cada anunciante observa tudo em tempo real, dobrar o concorrente direto em um evento deste porte é um recado inequívoco ao mercado.
A Globo, que no início subestimou a revolução digital liderada por Casimiro e pela LiveMode, fez exatamente o que sabe fazer quando se vê pressionada. Montou uma estratégia profissional, com investimento robusto, leitura precisa de linguagem e ocupação direta do território do adversário. E funcionou.
Primeiro veio a ironia pública, naquele comercial exibido antes de um Mundial. Depois, veio a resposta estrutural com a criação da GE TV, canal gratuito no YouTube, com transmissão aberta, linguagem mais solta, interação com o público jovem e estética de internet, mas sustentado pela maior estrutura de mídia do país.
O resultado apareceu justamente no jogo que parou boa parte do Brasil para ver o Flamengo vencer o Cruz Azul pela Copa Intercontinental. A disputa deixou de ser apenas conceitual e virou número concreto de espectadores na plataforma digital. A GE TV não apenas superou a CazéTV, como colocou mais de um milhão de pessoas de diferença no pico de transmissão.
Nada disso diminui o papel histórico da CazéTV. Ao contrário. Foi ela quem forçou uma ruptura no mercado, provando que era possível distribuir futebol de alto nível de forma gratuita pela internet. Sem esse movimento inicial, dificilmente a Globo teria acelerado sua guinada para o digital gratuito.
Mas o cenário, agora, mudou de patamar. O gigante entrou de vez no jogo online, com método, elenco e orçamento, e aplicou um golpe pesado no confronto direto. Não se trata do fim da CazéTV, mas de um reposicionamento claro das forças nesse tabuleiro.
A disputa segue aberta. O torcedor continua sendo o maior beneficiado. E o mercado, atento, já entendeu que a guerra do futebol gratuito no Brasil deixou de ser apenas uma batalha de discurso. Agora é, sobretudo, uma batalha de números no YouTube.
Fonte: Jornal de Brasília