Logo da Raízen em uma unidade da empresa
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Com uma dívida de pelo menos R$ 65,1 bilhões, a recuperação extrajudicial (RE) da Raízen é a maior operação do tipo no Brasil. O montante total negociado rivaliza até mesmo com as maiores recuperações judiciais (RJs) do país.

+‘Maior recuperação extrajudicial do país’: entenda a crise e a dívida da Raízen em 4 pontos

O valor supera em quase cinco vezes a RE do Grupo Intercement, que buscou negociar um montante de R$ 21,9 bilhões em setembro de 2024. Após o fracasso da tentativa, a empresa protocolou um pedido de recuperação judicial (RJ) em dezembro do mesmo ano.

Apesar de a quantia de R$ 65,1 bilhões representar os débitos da Raízen com credores externos, o total da reestruturação abrange um valor ainda maior: R$ 98,63 bilhões. Esse montante inclui R$ 33,49 bilhões em obrigações entre os sócios, os chamados ‘créditos intercompany’. Ao observar este valor total, seu passivo é o segundo maior já renegociado no país, atrás apenas da RJ da Odebrecht protocolada em 2019.

Veja o ranking das maiores recuperações extrajudiciais no país

# Empresa Passivo Total (R$) Ano do Pedido
1 Raízen 98,63 bilhões 2026
2 Grupo Intercement 21,91 bilhões 2024
3 Grupo Odebrecht – Construção 18,28 bilhões 2020
4 Grupo Odebrecht – Gás 15,90 bilhões 2017
5 Grupo Ocyan 14,60 bilhões 2024
6 Grupo Unigel 4,14 bilhões 2024
7 Casas Bahia 4,07 bilhões 2024
8 Grupo Queiroz Galvão Energia 3,86 bilhões 2018
9 Ibitu Energia 3,15 bilhões 2019
10 Grupo Rio Alto 2,95 bilhões 2025

Os números foram compilados pelo Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial (Obre).

Veja o ranking das maiores recuperações judiciais no país

# Empresa Passivo Total (R$) Ano do Pedido
1 Odebrecht 98,5 bilhões 2019
2 Oi 65,4 bilhões 2016
3 Samarco 50 bilhões 2021
4 Americanas 43 bilhões 2023
5 Sete Brasil 19,3 bilhões 2016
6 OGX 11,2 bilhões 2013
7 OSX Brasil 8,4 bilhões 2013
8 Schahin 6,5 bilhões 2015
9 Galvão Engenharia 6,3 bilhões 2015
10 PDG Realty 6 bilhões 2017

Os dados foram levantados pelo advogado Guilherme Marcondes Machado, do escritório Marcondes Machado Advogados.

A crise da Raízen e como será a recuperação

Produtora de açúcar e etanol, controlada pelo grupo Cosan e Shell, a Raízen afirma que o perfil de sua dívida é majoritariamente de longo prazo, com prazo médio de 7,6 anos.

O grupo controla 35 usinas de produção de açúcar, etanol e bioenergia, tendo anunciado uma receita líquida de R$ 255,3 bilhões na safra 2024/2025. Ainda assim, uma série de dívidas registradas nos últimos trimestres aumentou sua dívida líquida. A empresa atribui os problemas a investimentos caros e condições climáticas adversas que afetaram negativamente as safras.

Em sua reestruturação, foram incluídos sobretudo credores financeiros, ou seja, bancos e outras instituições que concederam crédito à empresa.

Diferentes formas de reestruturar uma dívida

Apesar de ambas consistirem em formas de convocar os credores de uma empresa a renegociar seus débitos, as RJs e REs são mecanismos regulados por leis distintas e com diferenças consistentes no seu funcionamento.

Em uma RJ, os tribunais devem autorizar o início do procedimento e acompanhá-lo em seu desenvolvimento. Há certa perda de autonomia, já que um administrador judicial fiscalizará toda a tramitação. Além disso, o passivo negociado deverá reunir o total das dívidas da empresa.

Já em uma RE, é possível optar por negociar apenas uma parte do montante devido. A Raízen, por exemplo, focou os débitos financeiros.

A empresa necessita da aprovação de metade dos credores para iniciar uma RE. “É uma ferramenta que incentiva muito mais o diálogo”, analisa a advogada Juliana Biolchi, diretora do Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial (Obre). “Na RJ, você faz isso aos olhos do judiciário, de uma maneira que tende a ser mais litigiosa, com discussões mais acaloradas, deságios maiores, porque se entende que a crise está mais agravada.”

Para o advogado Guilherme Marcondes Machado, o aumento da busca por REs demonstra um amadurecimento do mercado, à medida que se busca uma solução mais tranquila antes da escalada da crise. “É um processo muito mais rápido e menos custoso do que uma recuperação judicial, tanto no sentido financeiro, com advogados, taxas e tudo mais, como também no quesito reputacional.”

Dados da Obre apontam um crescimento na busca por REs desde 2021, quando entrou em vigor uma mudança na quantidade de credores necessária para iniciar um processo, de 3/5 para 1/3. Enquanto naquele ano houve 17 processos do tipo, em 2025 foram 78 casos.

No caso específico da Raízen, foi necessária aprovação de 2/3 dos credores do passivo de R$ 65,1 bi. Como os créditos restantes são devidos aos próprios sócios, que são parte interessada no processo, seus votos não são computados para aprovar a RE.



Fonte: IstoÉ Dinheiro

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