15/03/2026 – 9:00
Filme mais recente do diretor Kleber Mendonça Filho, “O Agente Secreto” já entrou para a história. A produção concorre em quatro categorias do Oscar, empatado com “Cidade de Deus” como produção brasileira com mais indicações. Está na disputa por alguns dos prêmios mais importantes da noite: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator por Wagner Moura e a categoria estreante de Melhor Direção de Elenco.
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O sucesso do longa está contabilizado em números. Segundo a plataforma Box Office Mojo, a arrecadação com bilheteria já chega a US$ 17,9 milhões, ou aproximadamente R$ 94,2 milhões. O montante foi destaque na França (US$ 3,3 milhões, cerca de R$ 17 milhões) e no Reino Unido (US$ 1,01 milhão ou R$ 5,25 milhões).
A plataforma ainda não contabiliza a bilheteria de todos os países em que o filme foi exibido. Deixa de fora os Estados Unidos, por exemplo, onde “The Secret Agent” estreou em 26 de novembro, e ainda não atualizou os números do Brasil. Assim, o número total pode estar subdimensionado.
No Brasil, trata-se do quarto filme mais visto no ano, atrás dos blockbusters importados “Zootopia 2”, “Avatar: fogo e cinzas” e “A empregada”. Os dados do parque exibidor cinematográfico brasileiro são compilados pela Ancine (Agência Nacional de Cinema) e disponibilizados ao público.
Desde sua estreia nacional, em 6 de novembro do ano passado, “O Agente Secreto” já levou 2,36 milhões de pessoas aos cinemas e arrecadou R$ 50,63 milhões. É o 8º filme brasileiro mais visto desde 2018, quando se inicia a série histórica apresentada pela Ancine.
Os bons resultados seguem nos números mais recentes. Apesar de estar em sua 18ª semana de exibição e de ter feito sua estreia na plataforma de streaming Netflix em 7 de março, a produção levou 13,7 mil pessoas aos cinemas no período de sete dias encerrado na quinta-feira, 11. Tradicionalmente, as quintas são o momento de estreias de novos lançamentos e de troca de programação, sendo também o fechamento para contagem de dados do parque exibidor.
Quanto custou?
Ao todo, o novo concorrente brasileiro ao Oscar custou cerca de R$ 28 milhões, sendo R$ 19 milhões provenientes do Brasil, e o restante de um regime de coprodução internacional com França, Alemanha e Holanda.
A maior parte brasileira foi alcançada graças a políticas públicas. “O Agente Secreto” recebeu do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) R$ 7,5 milhões para sua realização e R$ 750 mil para distribuição. Também captou R$ 3,75 milhões através da Lei do Audiovisual.
O FSA é um fundo de investimentos públicos mantido pela Ancine. A distribuição dos recursos acontece através de editais públicos. Os filmes apoiados comprometem-se a devolver 80% de seu lucro ao fundo. Depois de restituir todo o valor recebido, a alíquota de retorno cai para 40%. Com seus milhões arrecadados, Kleber Mendonça Filho terá assim garantido mais recursos para realização de outras produções nacionais.
Já a Lei do Audiovisual funciona através de renúncia fiscal. Filmes autorizados pela Ancine buscam patrocínio privado, e os apoiadores podem abater o valor pago de seu Imposto de Renda.
Apesar de alto para os padrões brasileiros, o orçamento de “O Agente Secreto” é modesto na comparação com seus competidores na categoria de Melhor Filme do Oscar. Para efeito de comparação, “F1”, o indicado mais caro do ano, teria custado mais de R$ 250 milhões segundo estimativas divulgadas pela imprensa dos EUA.
Os números de “O Agente Secreto”
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Bilheteria total: R$ 94,2 milhões
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Bilheteria no Brasil: R$ 50,63 milhões
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Público no Brasil: 2,36 milhões
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Orçamento: R$ 28 milhões
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Verba pública: R$ 11,4 milhões
Fonte: IstoÉ Dinheiro