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Os produtos chineses já foram alvos de bastante preconceito e era sinônimo de produtos de qualidade inferior nos anos 1990. O tempo passou e o jogo virou. Hoje o Made in China está presente desde tratores até chips para celular.

No meio disso tudo, um mercado aparece como um oásis: o de relógios de luxo. A opinião é do CEO da Breitling, o alemão Georges Kern, que passou pelo Brasil na última semana e falou sobre o futuro do luxo e que não vê os produtos chineses ameaçando as empresas tradicionais do ramo.

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“A China já está produzindo bons relógios em um patamar de preço mais baixo, entre US$ 50 e US$ 100, mas ninguém estaria disposto a pagar US$ 20 mil por um relógio chinês”, explicou. 

A fala aconteceu durante entrevista coletiva em São Paulo, para o lançamento da colab da relojoaria suíça com a montadora de carros britânica Aston Martin. O modelo foi apresentado no começo do mês, durante a apresentação do carro da equipe na F1. O relógio chega ao mercado brasileiro em julho pelo valor de R$ 86,5 mil. 

Foto: Divulgação

Luxo é emoção

O executivo entende que os atuais smart watches recentes são focados em utilidade, ao contrário do mercado de luxo, que fala sobre emoção. Por isso ele acredita que esse consumidor não vai trocar o relógio suíço por um chinês.

“O relógio não tem utilidade, já que você vê a hora pelo celular, mas sim uma peça comprada pela imagem e pela emoção, geralmente para marcar ocasiões importantes, como casamentos ou conquistas profissionais. Ninguém quer tomar um champanhe chinês”, afirmou. 

Mesmo com as principais economias do mundo crescendo pouco, os relógios de luxo seguem sendo um bom investimento, já que podem até mesmo ganhar valor com o tempo. O relatório The State Of Fashion, da consultoria McKinsey, aponta que “mesmo em cenários de incerteza econômica, os consumidores continuam interessados em comprar luxo. Em mercados gigantes como a China e os EUA, os relógios são, respectivamente, a primeira e a segunda categorias mais populares no mercado de itens de segunda mão”. 

“Ao contrário de um relógio digital, que rapidamente fica obsoleto e é descartado, o relógio analógico de luxo mantém sua relevância porque é focado em uma conexão humana”, afirmou o executivo.

Mercado diminuiu em 2024

Dados da Fédération de l’Industrie Horlogére Suisse apontam que, após três anos de crescimento robusto de vendas de relógios de luxo, entre 2021 e 2023, esse mercado estagnou à partir de 2024. Foram 23,9 bilhões de francos suíços em exportação de relógios suíços, representando 2,8% a menos do que 2023. 

Os Estados Unidos seguem sendo o principal comprador, com mais de 4 bilhões de francos. A China vem na segunda colocação, com 2 bilhões, seguido por Japão, Hong Kong e Reino Unido. 

Nosso cliente é igual em qualquer lugar do mundo

Concentrando 60% dos milionários na América do Sul, a marca ainda engatinha no Brasil. A relojoaria tem somente uma boutique no país, localizada no Shopping Cidade Jardim, em São Paulo. Com a criação de uma subsidiária, em 2025, a marca viu suas vendas crescerem 40% na comparação com 2024 e planeja abrir mais lojas próprias nos próximos anos. 

O executivo não detalhou a estratégia para o mercado brasileiro ou se haverá uma campanha exclusiva de divulgação no país, mas rejeitou, em um primeiro momento, a confecção de relógios exclusivos para o Brasil, por encarar a marca como “global”.  

“O cliente de luxo é o mesmo no Brasil, na França ou no Japão, com níveis semelhantes de educação e renda. A antiga divisão de país ficou no passado. Hoje as pessoas formam comunidades globais unidas pelo consumo das mesmas mídias, serviços e produtos, aderindo a um mesmo clube ou estilo de vida independente disso”, contou.  

Marca quer ‘rejuvenescer’ apostando em esportes 

Dentro do mercado de alto-luxo, a diferenciação entre as marcas é algo delicado e sútil. Apesar da tradição, a Breitling quer passar uma imagem de ‘cool, relaxada e casual’ para atender o público mais jovem. Para isso, além da ligação com a Fórmula 1, a marca lançou no ano passado a sua linha em conjunto com a NFL, de futebol americano. 

O executivo aposta em uma linguagem mais atualizada com os tempos atuais para brigar conquistar espaço de marcas mais “quadradas” como a Rolex. 

“Queremos ser a alternativa cool e relaxada às marcas de relógios mais tradicionais e conservadoras que existem por aí. Não se trata de beber champanhe em um tapete vermelho, mas de ir à praia e se divertir com um amigo. A Breitling está redefinindo a relojoaria suíça como líder em um luxo casual e acessível, onde o artesanato, a inovação e o estilo encontram um senso de diversão”, encerrou. 



Fonte: IstoÉ Dinheiro

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