Marcha das Mulheres Negras, realizada na capital federal em novembro, clamou por direitos e pelo fim da violência racial e de gênero -  (crédito:  Minervino Junior/CB/D.A Press)
Marcha das Mulheres Negras, realizada na capital federal em novembro, clamou por direitos e pelo fim da violência racial e de gênero – (crédito: Minervino Junior/CB/D.A Press)

A proximidade do Dia Internacional da Mulher, celebrado no domingo, 8 de março, evidencia um cenário persistente de violência letal. Levantamento divulgado ontem pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) mostra que o feminicídio segue atingindo majoritariamente mulheres adultas, sobretudo negras, dentro de suas próprias casas e, em muitos casos, pelas mãos de parceiros ou ex-companheiros.

Em 2025, segundo o estudo, foram 1.568 feminicídios no país. É o maior número dos últimos dez anos, aumento de 4,7% em relação a 2024. O levantamento também fez uma análise mais aprofundada com os 5.729 crimes do tipo ocorridos entre 2021 e 2024.

Siga o canal do Correio no WhatsApp e receba as principais notícias do dia no seu celular

Desses, 3.587 eram mulheres negras, o equivalente a 62,6% dos registros, enquanto 2.107 eram brancas, representando 36,8%. Indígenas e amarelas somam 0,3% dos casos. Metade das vítimas tinha entre 30 e 49 anos, faixa etária considerada produtiva e reprodutiva.

O grupo de 30 a 39 anos concentra 28,3% das ocorrências, seguido por 40 a 49 anos, com 21,7%. Embora adolescentes e crianças também apareçam nas estatísticas — 5,1% têm até 17 anos — a incidência maior recai sobre mulheres adultas.

Já em relação aos autores, 59,4% eram companheiros das vítimas, 21,3% ex-companheiros e 10,2% outros familiares, reforçando o caráter doméstico dos crimes.

Para o Fórum , os números indicam que a violência contra mulheres negras não pode ser analisada apenas sob a ótica de gênero. “Mulheres negras estão, em média, mais expostas a condições de vulnerabilidade socioeconômica, menor acesso a serviços públicos de proteção e maior presença em territórios marcados por precariedade institucional”, destaca o estudo.

Proteção

O enfrentamento ao feminicídio esteve no centro da participação da senadora Daniella Ribeiro (PP-PB), ontem, na II Conferência de Segurança Pública, em Brasília. Ela apresentou resultados do Programa Antes que Aconteça, que coordenou, e defendeu o fortalecimento da rede de atendimento. Em palestra, ela defendeu que a emissão de medidas protetivas com agilidade pode reduzir os casos de feminicídio.

A parlamentar também relatou experiência pessoal ao tratar de formas sutis de agressão. “Violência doméstica não é apenas física. Há vigilância, isolamento, controle. É tão sutil que você não percebe”, disse. Ela descreveu situações de monitoramento e restrição de convívio social como comportamentos que antecedem agressões mais graves. “Ciúme não é demonstração de amor. Vigilância é desconfiança”, declarou.

Também apelou para a participação masculina no enfrentamento. “Vocês estão em grupos e conversas onde nós não estamos. Podem dizer: ‘Essa fala não foi legal’. Se fosse com sua filha, você não gostaria”, afirmou, ao relatar episódio em que contestou comentário considerado inadequado em grupo de colegas parlamentares.

*Estagiária sob a supervisão de Victor Correia




Fonte: Correioweb

Olá, NÃO VÁ,
EMBORA AINDA!

Inscreva-se para receber as notícias em primeira mão em sua caixa de e-mail.

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Destaques Portal Standarte

Relacionadas

Menu