Um dos principais nomes do esporte brasileiro atual, Lucas Moraes se prepara para encarar mais uma etapa decisiva do Mundial de Rally Raid (W2RC). Após conquistar o 7º lugar no Rally Dakar em janeiro, Moraes reencontra o palco que lhe rendeu sua única vitória de etapa na temporada de 2025. Agora, o piloto encara o desafio em Portugal, que começa nesta terça-feira, 17. Ao fim da temporada, o campeão Mundial será definido pelo acumulo de pontos nas cinco etapas que marcam a competição.
Atual campeão mundial da categoria, Lucas falou em entrevista exclusiva à IstoÉ sobre a preparação para esta nova fase da temporada, em um ambiente que considera favorável ao seu estilo de pilotagem. Além disso, revelou o que é necessário para buscar o bicampeonato, seus sonhos dentro da modalidade e as expectativas para o restante de 2026.
+ Leia todas as notícias de esportes em IstoÉ
O desafio em terras europeias
Lucas Moraes compete no Rally Raid pela Dacia
A etapa, denominada BP Ultimate Rally-Raid Portugal, acontece de 17 a 22 de março, cruzando a fronteira e ligando Grândola (Portugal) a Badajoz (Espanha). Esta é a segunda prova de Lucas no ano; a primeira foi o Rally Dakar, onde estreou em sua nova equipe, a Dacia.
O piloto refletiu sobre a transição e o aprendizado no deserto: “O Dakar foi um bom resultado. Foi uma prova muito disputada e tudo era muito novo para mim: equipe nova, novo navegador, engenheiro, mecânicos e chefe de equipe. Enfim, aprendi bastante com a Dacia”, ressaltou.
Para a etapa portuguesa, a previsão é de chuva — um cenário que agrada Lucas por potencializar seu controle técnico. A proximidade com o público local também é um combustível extra:
“Portugal é uma prova que eu gosto muito. Foi minha primeira vitória em etapas no ano passado, um momento crucial que me colocou na disputa para chegar ao Marrocos com chances de título. Os portugueses são fanáticos por Rally, você vê muita gente na beira da pista. Como falamos a mesma língua, a torcida normalmente é grande para nós. O foco é defender nosso título mundial, mas, em especial agora, repetir a vitória do ano passado em Portugal.”
Desde o encerramento do Dakar em 17 de janeiro, Moraes intercalou descanso com treinos intensos. Como as etapas do mundial são esparsas, o gerenciamento do tempo é fundamental. Entre o Dakar e a disputa em Portugal, o foco foi no descanso:
“A gente busca tirar um tempo de férias entre as etapas porque a pré-temporada, de setembro a dezembro, é muito intensa em termos de testes, treinos e viagens. O Dakar é a prova mais importante para todo mundo, então o desgaste é alto.”
Lucas Moraes: convivendo com lendas
Um dos grandes atrativos da temporada 2026 é a composição da equipe Dacia. Lucas divide a garagem com dois gigantes do automobilismo: o catari Nasser Al-Attiyah e o francês Sébastien Loeb. Nasser venceu o Dakar 2026, enquanto Loeb terminou na 4ª posição.
Embora tenha sido campeão em 2025 pela Toyota, Lucas optou pela troca de escuderia visando o crescimento profissional ao lado desses multicampeões: “Quando a Dacia lançou esse projeto, chamou muita atenção. Quando adicionaram Nasser e Loeb, chamou mais ainda. Eu estava feliz na Toyota, mas vi a oportunidade de continuar crescendo como piloto”, destacou.
Sobre a rivalidade interna, Moraes garante que o clima é de cooperação:
“Não há preferência. No Rally, a estratégia é definida pelo desempenho ao longo da prova. Se você chega ao quarto dia disputando a ponta, vai até o final. Se teve problemas no início, passa a ajudar os companheiros para garantir o resultado da equipe. É condição igual para todos.”
O Sonho do Topo e a Conquista da América do Sul
Após Portugal, o mundial ruma para a Argentina com o Desafio Ruta 40 (24 a 29 de maio). Para Lucas, vencer em solo vizinho teria um sabor especial: “Se eu pudesse escolher, além de Portugal, seria incrível vencer na Argentina. Eles são fanáticos e o clima é muito especial para nós, latinos.”
Além do desafio na América do Sul, o Mundial conta com mais duas etapas finais:
Projeção futura e obsessão pelo Dakar
Apesar de já ostentar títulos brasileiros, do Sertões e o Mundial de Rally Raid, Lucas admite que falta a “joia da coroa”: a vitória geral no Rally Dakar, onde já foi pódio (3º lugar) em 2024.
“Eu realmente gostaria de ganhar um Dakar pelote Brasil. É a minha obsessão. Já conquistei muita coisa, mas o Dakar é o que falta no currículo”, finalizou.
O piloto acredita que vitórias consistentes podem ajudar a popularizar a modalidade no Brasil, superando a barreira da dificuldade de transmissão e a cultura brasileira de “apoiar apenas quem ganha”. Como ele define: “Quem sabe um dia a gente consegue ser o primeiro brasileiro a vencer o Dakar na categoria principal.”
Fonte: IstoÉ Esporte