Hegemonia em xeque: dinheiro do Brasil domina, mas não garante a Libertadores
Hegemonia em xeque: dinheiro do Brasil domina, mas não garante a Libertadores

A Copa Libertadores de 2026 começa com um cenário que mistura domínio e alerta. Desde 2017, os clubes brasileiros venceram oito das últimas dez edições — uma supremacia construída, em grande parte, pelo poder financeiro. Mas o sorteio dos grupos mostra que dinheiro ajuda, mas não resolve tudo. E a ausência do River Plate, fora após 11 anos, tira um peso histórico da competição, mas também empobrece o nível de exigência. Sem ele – e no ano passado quem ficou fora foi o Boca – o torneio perde, mas não necessariamente fica mais fácil.

O recorte mais objetivo dessa hegemonia está no valor de mercado. É ele que explica por que o Brasil entra sempre como favorito. Mas, grupo a grupo, há sinais claros de que o desequilíbrio financeiro não impede surpresas — como já se viu recentemente, inclusive com o Lanús atropelando o Flamengo.

Grupo A: Flamengo muito acima, mas não imune

O Flamengo tem um elenco avaliado na casa dos € 180 milhões. Do outro lado, Estudiantes, Cusco e Independiente Medellín somam € 65,8 milhões. Ou seja, o Flamengo sozinho vale quase três vezes o grupo inteiro. Ainda assim, há armadilhas claras: altitude no Peru e um adversário argentino competitivo. A diferença existe, mas não blinda.

Grupo C: Fluminense domina no papel, sofre na prática

O Fluminense gira em torno de € 100 milhões de valor de mercado. Seus adversários somam € 52,7 milhões. É uma vantagem confortável, praticamente o dobro. Mas é o grupo com maior desgaste: altitude extrema na Bolívia e longas viagens. Aqui, o dinheiro perde para a geografia.

Grupo D: Cruzeiro no único grupo sem vantagem clara

O Cruzeiro tem um elenco na faixa dos € 90 milhões. Seus adversários somam € 123,7 milhões, com o Boca Juniors puxando € 90 milhões sozinho. É o único grupo em que o brasileiro não chega com superioridade financeira. Aqui, o confronto é direto, equilibrado e de alto nível.

Grupo E: Corinthians tem vantagem, mas não sobra

O Corinthians está na casa dos € 120 milhões. O grupo (Peñarol, Santa Fé e Platense) soma € 81,6 milhões. Existe vantagem, mas ela não é esmagadora. É um grupo competitivo, com clubes tradicionais e campeões recentes.

Grupo F: Palmeiras impõe a lógica do dinheiro

O Palmeiras, com elenco avaliado em cerca de € 220 milhões, enfrenta um grupo que soma € 57,6 milhões. É uma diferença brutal. Aqui, o cenário é o mais confortável entre os brasileiros: superioridade técnica e financeira clara.

Grupo G: Mirassol vale mais, mas enfrenta o grupo mais traiçoeiro

O Mirassol tem um elenco estimado em cerca de € 40 milhões. Seus adversários somam € 64,7 milhões. Ou seja, aqui o brasileiro nem é o mais valioso. E enfrenta altitude extrema, um campeão recente como o Lanús e uma LDU tradicional. É o grupo mais perigoso fora da lógica financeira.

No fim, o retrato é claro: o Brasil continua sendo a potência da Libertadores porque tem mais dinheiro — e isso aparece de forma objetiva nos números. Mas não é um cheque em branco. A ausência do River Plate diminui o peso simbólico da competição, mas não reduz a complexidade.

Porque na Libertadores, o orçamento entra em campo, mas não decide sozinho.

Fonte: Jornal de Brasília

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