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O GPA, dono das redes Extra e Pão de Açúcar, anunciou um acordo de recuperação extrajudicial para renegociar um montante de aproximadamente R$ 4,5 bilhões em dívidas. A medida anunciada através de um fato relevante publicado nesta terça-feira, 10, inaugura um prazo de 90 dias para formalizar um acordo definitivo com os credores.

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A empresa afirma que o processo não envolve fornecedores, clientes ou funcionários. As operações de todas as lojas abertas atualmente seguirá normalmente. De forma geral, o débito contraído foi com credores financeiros não operacionais, como instituições financeiras.

A aprovação do plano contou com 46% do total de créditos sujeitos ao plano, equivalente a R$ 2,1 bilhões. Trata-se de um percentual superior a quórum mínimo legal de 1/3 estabelecido para acordos do tipo.

“A Companhia confia que conseguirá o apoio da maioria dos créditos sujeitos ao processo e espera chegar a uma solução estruturada que resolva simultaneamente a liquidez de curto prazo e a sustentabilidade financeira de longo prazo”, afirma a empresa no fato relevante.

Estrategista chefe da RB Investimentos, Gustavo Cruz compara a situação atual do GPA com a das Casas Bahia em 2024. “Se entendeu que o nível de endividamento estava bastante pressionado, especialmente em termos de prazo, e a saída encontrada foi justamente alongar a dívida para dar um pouco mais de fôlego à operação e permitir que a empresa reencontre um ponto de equilíbrio”, diz.

Crise no GPA

No seu mais recente balanço financeiro, o GPA já incluiu um alerta sobre “incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa sobre a continuidade operacional da companhia”. Na teleconferência sobre os resultados, o presidente-executivo afirmou que uma mudança estrutural e cultural era necessária, e destacou que tratava com prioridade a questão do endividamento da companhia.

No quarto trimestre do ano passado, o GPA registrou um prejuízo líquido consolidado de R$ 572 milhões. O valor representou uma redução de 48,2% em relação ao prejuízo de R$ 1,1 bilhão apurado em igual período de 2024.

“Apesar de melhora nos principais indicadores operacionais, bem como geração positiva recorrente de caixa operacional, a companhia continua apurando prejuízo no período”, informou no balanço.

Prejuízos recorrentes nos últimos anos provocaram uma série de mudanças no comando da empresa, com o Grupo Coelho Diniz assumindo em agosto do ano passado como principal acionista (24,6%). Outrora controlador, o francês Casino ainda detém uma fatia de 22,5%.

Em outubro, o empresário André Coelho Diniz foi eleito presidente do conselho de administração. Na sequência, o presidente-executivo, Marcelo Pimentel, que estava no cargo desde 2022, renunciou. No começo de 2026, Alexandre de Jesus Santoro foi eleito como diretor-presidente da companhia.

Na visão de Gustavo Cruz, da RB Investimentos, outras mudanças na estrutura de capital da empresa podem ocorrer. “Acredito que a possibilidade de aquisição ou de entrada de novos operadores na estrutura não pode ser descartada pelos investidores. Diferentemente de outros setores, o varejo alimentar oferece esse tipo de oportunidade estratégica, justamente por conta da capilaridade física e do valor que essas operações têm em mercados-chave”, analisa.

(*com informações da Estadão Conteúdo e Reuters)



Fonte: IstoÉ Dinheiro

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