Filho de Elis Regina usa IA para restaurar gravações de 1976 e prepara álbum
Filho de Elis Regina usa IA para restaurar gravações de 1976 e prepara álbum

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

A voz de Elis Regina ecoa límpida pelo estúdio enquanto músicos de carne e osso tocam baixo, bateria, guitarra e teclado para acompanhar seu canto potente, recuperado com o uso de inteligência artificial. Uma das grandes artistas da MPB, morta há 44 anos, Elis terá dez gravações adicionadas ao repertório este ano a primeira, versão de “Corsário”, está marcada para sair no Dia das Mães, em 10 de maio.

Foi o filho dela, o produtor João Marcello Bôscoli, que recorreu à IA para restaurar áudios que se desgastaram e quase se perderam. O registro das dez canções ocorreu há 50 anos, em São Paulo, quando Elis gravou um programa para a Band, à época TV Bandeirantes. A inteligência artificial foi usada para corrigir ruídos, falhas, chiados e outros problemas que tornavam inviável o lançamento do material cru.

Entre as canções que vão receber nova roupagem estão “O Mestre-Sala dos Mares”, que deve ser lançada entre julho e agosto, “Bodas de Prata”, “Gol Anulado” e “Triste”. O conjunto vai compor um álbum inédito de Elis até o fim do ano. Bôscoli fez algo parecido com “Para Lennon e McCartney” há dois anos.

As gravações que Elis fez no programa da Bandeirantes foram passadas de uma fita analógica, desgastada, para um HD externo, este entregue à família há dois anos —antes, estava com a gravadora Som Livre.

O restauro deu um ar moderno à gravação de “Corsário” a voz de Elis soa mesmo como se gravada hoje, o que só foi possível com recursos disponíveis só nas plataformas de inteligência artificial, afirma Bôscoli.

Ferramentas comuns de recuperação causavam erros, ele diz. O som da letra S pronunciado por Elis, por exemplo, se confundia com o barulho da guitarra, que, se mexido, afetava o nível de agudo da voz dela.
“É só com IA, não tem nem conversa”, afirma Bôscoli.

Questionado sobre o debate que cerca o uso de inteligência artificial para ressuscitar vozes, o produtor diz que não usa tecnologia sem trabalho humano. “Se eu dissesse que coloquei um servidor para estudar e depois joguei nas plataformas para descobrir o que fazer, ia dar cagada. Eu me sentiria um pianista de prompt, e esse não é meu lance. Prefiro trabalhar com músicos de verdade e criar algum critério.”

A intenção da equipe é que, embora soem atuais, as músicas resgatem a estética setentista dessa fase de Elis. Para isso, Bôscoli foi atrás de instrumentos e equipamentos da época ou mais antigos, como o baixo, que foi de Luizão Maia, baixista principal da artista, morto em 2005.

As gravações estão ocorrendo em São Paulo, no estúdio da Trama, gravadora que vem trabalhando o acervo de Elis nos últimos anos. As novas versões serão lançadas no canal do YouTube da empresa.

Fonte: Jornal de Brasília

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