As goleadas do Real sobre o City e do PSG sobre o Chelsea, nesta quarta-feira (11), tinham tudo para se destacarem nos jogos de ida das nas oitavas de final da Champions. Mas o futebol tem dessas ironias: o que parecia ser as manchetes da rodada acabou ofuscado por mais uma façanha de um time improvável que vem surgindo do gelo do norte da Europa.
O responsável por roubar a cena foi novamente o Bodø/Glimt, clube de uma pequena cidade norueguesa localizada acima do Círculo Polar Ártico. Nesta quarta-feira, a equipe voltou a desafiar a lógica do futebol continental ao derrotar o Sporting de Portugal por 3 a 0, em mais um resultado que reforça a sensação de que o fenômeno não é mais acidente.
A façanha ganha ainda mais peso quando se lembra que, na fase anterior, o mesmo Bodø/Glimt já havia eliminado a Inter de Milão, com triunfos dentro e fora de casa. Em poucas semanas, o clube que muitos europeus mal sabiam localizar no mapa passou a ser um adversário que ninguém quer enfrentar.
O estilo ajuda a explicar o impacto. O time é destemido e joga de forma agressiva. E há ainda um fator que ajuda a transformar o estádio em território hostil: o frio cortante do Ártico, que costuma congelar mais do que apenas as mãos dos visitantes.
É o Mirassol da Europa?
Diante desse sucesso improvável, surge uma comparação curiosa para os olhos brasileiros. Guardadas as diferenças de latitude e temperatura, o Bodø/Glimt lembra, em espírito, um clube do interior paulista que também aprendeu a desafiar gigantes: o Mirassol.
A coincidência começa pela cor da camisa, um amarelo vibrante que chama atenção em qualquer campo. Mas a semelhança mais interessante está no percurso. Assim como o clube norueguês saiu de uma cidade pequena e distante dos grandes centros para se impor no futebol europeu, o Mirassol deixou de ser um coadjuvante do interior para se transformar em presença cada vez mais incômoda no cenário nacional.
No ano passado, o Mirassol já havia surpreendido no Campeonato Brasileiro com uma campanha sólida (terminou no G-4) e resultados expressivos diante de clubes tradicionais. Em 2026, o time segue demonstrando que não se trata apenas de um momento passageiro.
Nem Bodø/Glimt nem Mirassol carregam a história centenária dos gigantes que enfrentam. Também não contam com cofres ilimitados. O que possuem é algo cada vez mais raro no futebol moderno: organização, identidade e a convicção de que um bom projeto pode incomodar qualquer potência. Então, seja no frio do Círculo Polar Ártico ou no calor do interior paulista, a mensagem parece a mesma: quando um time pequeno decide levar o futebol a sério, o tamanho do mapa passa a importar bem menos. E, curiosamente, os dois escolheram exatamente a mesma cor para avisar ao mundo que chegaram
Fonte: Jornal de Brasília