11/03/2026 – 14:31
Com o anúncio do pedido de recuperação extrajudicial feito na noite de terça-feira, 10, as ações da Raízen chegaram a ser cotadas abaixo de 50 centavos na bolsa brasileira nesta quarta-feira, 11. A empresa aponta dívidas de aproximadamente R$ 65,1 bilhões.
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Segundo o fato relevante da companhia, seu plano conta com a adesão expressa de credores signatários titulares de mais de 47% das dívidas financeiras, percentual que demonstra “apoio relevante aos esforços para viabilizar a reestruturação das obrigações financeiras do grupo”.
A Raízen surgiu de uma joint venture entre Shell e Cosan e foi celebrada, em 2021, por ter feito o maior IPO (Oferta Pública de Ações – abertura de capital) daquele ano, de R$ 6,9 bilhões. Na ocasião, em 4 de agosto, as ações foram precificadas a R$ 7,40.
Ocorre que, desde então, os papeis da empresa nunca atingiram esse valor. De acordo com levantamento da consultoria Elos Ayta, a pedido de IstoÉ Dinheiro, o maior valor da ação foi de R$ 6,52 há quase quatro anos, em 28 de março de 2022. Às 13h56, as ações eram negociadas a R$ 0,52, ou, queda de 92% desde o IPO.
Einar Rivero, sócio-fundador da Elos Ayta, esclarece que o valor é ajustado por Dividendos e Juros Sobre Capital Próprio (JCP).
Com isso, a Raízen perdeu quase R$ 71 bilhões em valor de mercado, saindo de R$ 76,298 bilhões em 1º de outubro de 2021 para R$ 5,378 bilhões em 10 de março de 2026.
Na época do IPO, a Raízen havia dito que usaria os recursos da oferta para construir novas unidades para expansão de produção, investimentos em infraestrutura de armazenamento, logística e para aumentar a eficiência e a produtividade.
Contudo a empresa, um conglomerado industrial criado por Rubens Ometto, registrou uma série de prejuízos e um aumento acentuado da dívida líquida nos últimos trimestres, como resultado de investimentos caros e condições climáticas adversas que afetaram negativamente as safras, levando-a a alertar, em fevereiro, sobre uma “incerteza significativa” quanto à sua capacidade de continuar operando. A dívida líquida da Raízen disparou devido a uma combinação de investimentos pesados, clima instável e incêndios florestais, que levaram a colheitas mais fracas e volumes de moagem mais baixos.
Fonte: IstoÉ Dinheiro