Estudo apresenta proposta de gratuidade em ônibus para 706 cidades
Estudo apresenta proposta de gratuidade em ônibus para 706 cidades

Após pedido do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, à equipe econômica do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para a realização de um estudo do setor de transporte público no Brasil, avaliando a possibilidade de implementação da tarifa zero, diversas universidades federais do país divulgaram, na noite desta quarta-feira (26/11), uma proposta de financiamento inspirado em um modelo francês. Foi apresentada então a possibilidade de tarifa zero sem uso de recursos do orçamento público e a criação de novos tributos.

Intitulado como “Caminhos para a Tarifa Zero”, a proposta central do estudo foi inspirada no Versement Mobilité, adotado na França desde 1971, e prevê a substituição do atual sistema de vale-transporte por uma contribuição direta das pessoas jurídicas localizadas nos municípios com mais de 50 mil habitantes – o equivalente a 706 cidades brasileiras. 

Na prática, estabelecimentos públicos e privados contribuiriam mensalmente com um valor fixo por funcionário, com isenção de até nove empregados por CNPJ. Esse mecanismo, segundo os autores, isentaria 83% das empresas da nova contribuição. Com uma cobrança estimada em R$ 250 por funcionário por mês, o sistema poderia arrecadar cerca de R$ 80 bilhões por ano — montante considerado suficiente para custear a Tarifa Zero nessas cidades.

Segundo o levantamento, o sistema custa hoje cerca de R$ 65 bilhões por ano. Com a ampliação da oferta, ajustes contratuais e ganhos de eficiência, a implementação da Tarifa Zero nas 706 cidades demandaria aproximadamente R$ 78 bilhões por ano, beneficiando cerca de 124 milhões de pessoas. Considerando a compra diária de uma passagem de ida e volta por usuário, o custo anual seria estimado em R$ 58 bilhões, equivalente a 75% do valor necessário para o modelo universal.

Ao analisar os cenários de financiamento, os pesquisadores defendem que a tarifa zero pode ser implantada sem recursos federais diretos, desde que seja reformulada a contribuição das empresas, hoje restrita ao vale-transporte. O estudo apresenta esse mecanismo como o caminho mais promissor, ao combinar financiamento público e privado com referências internacionais.

Para viabilizar a proposta, o relatório sugere a criação de uma estrutura interfederativa de gestão, em linha com a proposta do Sistema Único de Mobilidade (SUM), defendido por organizações sociais. Os autores propõem ainda o lançamento de uma fase experimental do Programa Nacional de Tarifa Zero em 2026, voltada à coleta de dados, avaliação e ajustes institucionais antes da expansão plena.

O estudo foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Universidade de São Paulo (USP) e financiado pela Frente Parlamentar em Defesa da Tarifa Zero. Foi conduzido por dois grupos de pesquisa sediados no Instituto de Ciência Política (Ipol) da UnB: o Grupo de Pesquisa Geopolítica e Urbanização Periférica (Geourb) e o Observatório das Metrópoles/Núcleo Brasília. O trabalho contou ainda com o apoio da Fundação Rosa Luxemburgo e parceria da Rede Nossas. Assinam o estudo Letícia Birchal Domingues (UnB), Thiago Trindade (UnB), André Veloso (ALMG), Roberto Andrés (UFMG) e Daniel Santini (USP).

Veja o estudo completo aqui




Fonte: Correioweb

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