Facebook icon
Facebook icon

As vacinas contra a Covid-19 projetaram a Moderna globalmente, mas a trajetória da farmacêutica sofreu uma forte desaceleração com o declínio expressivo da busca por imunizantes. Somado a isso, um ambiente político mais hostil durante o governo Trump gerou apreensão no mercado financeiro. As ações da empresa chegaram a acumular uma perda próxima de 90% em comparação ao seu pico histórico, eliminando cerca de US$ 170 bilhões em valor de mercado. Enquanto o público acompanhava essa retratação, a companhia trabalhava de maneira discreta em uma nova estratégia de recuperação focada na oncologia.

Esse movimento estratégico começou a trazer resultados expressivos. A Moderna, em parceria com a Merck, anunciou que sua vacina experimental contra o câncer conseguiu prolongar o tempo livre de recorrência em pacientes com melanoma durante um ensaio clínico. O feito representa o primeiro estudo avançado desse tipo a atingir resultados positivos na área. Embora o anúncio oficial tenha ocorrido via comunicado à imprensa — sem a apresentação imediata de dados numéricos detalhados —, a notícia foi suficiente para fazer as ações da Moderna dispararem 177% em um único dia.

O otimismo dos investidores fundamenta-se na possibilidade de a empresa transformar o tratamento oncológico. A vacina utiliza a tecnologia de RNA mensageiro (mRNA), a mesma empregada nos imunizantes de Covid-19, porém com um mecanismo totalmente adaptado. O tratamento é desenhado de forma individualizada com base na genética do tumor de cada paciente, instruindo o sistema imunológico a reconhecer e destruir os alvos tumorais. Caso a tecnologia comprove eficácia em outros tipos de câncer, a plataforma de mRNA pode se consolidar como um segmento extremamente rentável, dado que medicamentos de alta complexidade em oncologia frequentemente alcançam valores elevados no mercado global.

Analistas do setor, como os do banco TD Cowen, destacam que a oncologia se tornou a oportunidade mais relevante no portfólio da companhia. O CEO da Moderna, Stéphane Bancel, reforçou que essa iniciativa reflete o perfil da empresa em assumir grandes desafios científicos. O conceito de utilizar o mRNA para combater tumores é estudado há décadas, mas ganhou impulso recente devido aos avanços de fabricação acelerados pelos investimentos da pandemia. Atualmente, dezenas de vacinas oncológicas baseadas nessa premissa estão em fase de teste clínico no mundo inteiro.

No cenário competitivo, quatro grandes empresas de biotecnologia se destacam. Além da aliança entre Moderna e Merck — que já expandem os testes para tumores de pâncreas, pulmão e rim —, a BioNTech atua em parceria com a Genentech (grupo Roche) em pesquisas para câncer de cólon e pâncreas. Historicamente, essa abordagem era vista com cautela por grandes farmacêuticas devido aos custos de produção e às incertezas técnicas.

Adicionalmente, o setor enfrentou turbulências regulatórias e cortes de verbas federais sob a gestão do secretário de Saúde Robert F. Kennedy Jr. No entanto, o governo norte-americano sinalizou abertura para o avanço da tecnologia ao manter parcerias focado no financiamento de testes clínicos para vacinas contra o câncer.

Após um período de reestruturação que envolveu demissões e o cancelamento de projetos secundários, a Moderna busca consolidar seu foco científico. Os próximos passos dependerão da confirmação de que os resultados obtidos no melanoma podem ser replicados em tipos de tumores mais agressivos, bem como da validação dos dados completos que serão apresentados à comunidade médica em breve.



Fonte: IstoÉ Dinheiro

Olá, NÃO VÁ,
EMBORA AINDA!

Inscreva-se para receber as notícias em primeira mão em sua caixa de e-mail.

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Destaques Portal Standarte

Relacionadas

Menu