Brasília recebe, neste sábado (15), a etapa final da primeira edição nacional do Festival Multiversos. A partir de uma programação gratuita no gramado do Eixo Cultural Ibero-Americano, o evento propõe um encontro entre diferentes gerações da música brasileira e manifestações culturais que atravessam temas como diversidade, representatividade, sustentabilidade e economia criativa. Os ingressos são disponibilizados gratuitamente pela plataforma Sympla.
A proposta de reunir diferentes gerações e linguagens está no centro do festival. “Reunir artistas de diferentes gerações, linguagens e territórios traduz a essência do Multiversos. Queremos que o público encontre no festival não apenas grandes shows, mas um espaço de convivência, diversidade e reflexão sobre o futuro que estamos construindo”, afirma o presidente do Instituto Iniciativa Global, Wagner Luis Gonçalves, responsável por idealizar e realizar o evento.
Entre os nomes que chegam à capital está Chico César, artista paraibano que há mais de três décadas constrói uma trajetória marcada pela mistura de ritmos brasileiros, poesia e temas sociais. Para ele, a canção tem justamente a capacidade de estabelecer uma comunicação imediata com o público, sem deixar de provocar reflexão.
“Eu acho que a canção de todas as épocas tem essa proposta de fazer canções que de algum modo se comuniquem com as pessoas e, ao mesmo tempo, provoquem, tragam inquietações, reflexões, proponham mudanças”, afirma o cantor. Segundo Chico, essa continua sendo a direção de seu trabalho, ainda que o resultado possa variar de uma música para outra.
A presença do artista também reforça uma das principais propostas do Multiversos, que é aproximar públicos e artistas de diferentes momentos da música brasileira. Chico César já dividiu o palco com Os Garotin, outro destaque da programação, e vê nos encontros entre gerações uma oportunidade de descobrir novas formas de fazer música.
Para o cantor, a diversidade é uma das maiores riquezas da convivência humana. Ele destaca especialmente a capacidade de artistas mais jovens de transformar a popularidade conquistada na internet em encontros presenciais com grandes públicos.
“Eu me surpreendo muitas vezes quando divido o palco com artistas novos. É muito legal porque tem artistas novos que conseguem levar do ambiente virtual da internet para o ambiente real, que arrastam multidões para os seus shows”, conta.
A relação entre o universo digital e os palcos, segundo Chico, também revela mudanças na maneira como a música circula. O artista observa que, mesmo diante de uma produção cada vez mais segmentada, há grupos capazes de reunir multidões que conhecem e cantam não apenas os grandes sucessos, mas praticamente todo o repertório apresentado.
É o caso de Os Garotin, trio formado por Anchietx, Cupertino e Leo Guima, que ganhou projeção nacional ao misturar soul, MPB, funk, samba e R&B. Vencedor do Grammy Latino de 2024, o grupo chega à capital com o álbum Força da Juventude, que reúne colaborações com artistas como Marina Sena, Liniker, Lenine, Arthur Verocai, BK’ e Hamilton de Holanda.
Música como reflexo das transformações sociais
A diversidade que atravessa o festival também aparece na própria produção musical de Chico César. Para o artista, a música não apenas participa das transformações sociais, mas funciona como um registro das mudanças que acontecem na sociedade.
O cantor cita diferentes movimentos e grupos sociais que passaram a ocupar espaço na música e na cultura e afirma que a representatividade está relacionada à própria pluralidade desses movimentos.
Na avaliação de Chico, não existe uma única transformação acontecendo ao mesmo tempo. São diferentes movimentos, experiências e reivindicações que compõem um processo mais amplo de mudança. A música, nesse cenário, funciona como uma das formas de expressão dessas vozes. “Os movimentos são claramente, inevitavelmente, plurais”, afirma.
Essa pluralidade também ajuda a explicar a permanência da canção como linguagem artística. Para Chico César, enquanto a sociedade continuar se transformando, haverá novos assuntos e experiências capazes de alimentar a criação musical. “Enquanto tem bambu, tem flecha. Ou seja, enquanto tem vida, tem assunto”, brinca o cantor.
Um festival de encontros
A etapa brasiliense encerra o circuito nacional do Multiversos, que passou anteriormente por Belo Horizonte, Divinópolis e Betim. Na capital, além dos shows, a programação inclui intervenções culturais e iniciativas relacionadas à sustentabilidade, acessibilidade e economia criativa.
A proposta é transformar o espaço em um ponto de encontro entre diferentes públicos e expressões culturais. Para Chico César, essa possibilidade de circulação e descoberta é especialmente importante em um momento em que a internet ampliou o acesso a produções musicais de diferentes regiões e tradições.
O cantor lembra que hoje é possível entrar em contato com manifestações que vão muito além do repertório conhecido por cada público. Para quem cria música, essa diversidade funciona também como fonte de inspiração.
Com oito horas de programação, o Festival Multiversos pretende fechar sua primeira edição nacional justamente a partir dessa mistura de linguagens e gerações. Em Brasília, a música de Chico César e a sonoridade contemporânea de Os Garotin se encontram em um evento que aposta na diversidade como ponto de partida para novas experiências culturais.
Serviço:
Festival Multiversos – Edição Brasília
Data: 15/8 (sábado)
Horário: 18h às 2h
Local: Gramado Eixo Cultural Ibero-americano
Entrada: Gratuita, retirada pela plataforma da Sympla.
Fonte: Jornal de Brasília