Uma das grandes atletas da história do judô brasileiro, Edinanci Silva terá sua trajetória contada no livro “Edinanci Silva: Mulher Forte Sim Senhor”, escrito por Helena Rebello. A biografia chega às livrarias no mês em que a ex-judoca completa 50 anos e relembra uma carreira marcada pelo pioneirismo, por quatro participações olímpicas e também pelo enfrentamento ao preconceito.
O primeiro lançamento será em São Paulo, no dia 21 de agosto, das 19h às 21h, na Drummond Livraria, no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, com roda de conversa conduzida pelo jornalista Paulo Conde. No Rio de Janeiro, o evento acontece no dia 26, no mesmo horário, na Livraria da Travessa, em Botafogo, com bate-papo conduzido pela jornalista Bruna Dealtry.
Edinanci completa 50 anos no dia 23 de agosto. Nascida em Sousa, na Paraíba, começou a praticar judô aos 15 anos e, aos 17, mudou-se para São Paulo em busca de espaço nas competições nacionais.
Pioneirismo dentro e fora dos tatames
Edinanci nasceu com uma condição intersexo, apresentando características biológicas sexuais que não se enquadravam completamente nos padrões típicos masculino ou feminino. Exames identificaram testículos internos que produziam testosterona.
Em 1996, aos 19 anos e às vésperas dos Jogos Olímpicos de Atlanta, passou por procedimentos cirúrgicos para a retirada dessas gônadas. Posteriormente, explicou que a intervenção também esteve relacionada a riscos futuros para sua saúde. Naquele período, atletas mulheres ainda eram submetidas aos controversos “testes de feminilidade” nas competições internacionais.
A exposição pública de uma questão tão íntima provocou preconceito e constrangimentos durante parte de sua carreira. Nos tatames, entretanto, Edinanci construiu uma trajetória histórica.
Ela disputou quatro Olimpíadas consecutivas — Atlanta 1996, Sydney 2000, Atenas 2004 e Pequim 2008 —, tornando-se a primeira judoca brasileira a alcançar essa marca. Foi duas vezes medalhista de bronze em Campeonatos Mundiais e conquistou o ouro nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo, em 2003, e do Rio de Janeiro, em 2007. Em Pequim, terminou na quinta colocação, seu melhor resultado olímpico.
Em 2025, Edinanci foi incluída no Hall da Fama do Comitê Olímpico do Brasil. Ao completar meio século de vida, ganha agora o registro em livro de uma trajetória que ajudou a abrir caminhos para o judô feminino e deixou seu nome na história do esporte olímpico brasileiro.
Fonte: Jornal de Brasília