A negociação do Flamengo para contratar Luiz Henrique não esfriou. Acabou. O estafe do atacante, atualmente no Zenit, comunicou que as conversas estavam encerradas depois de um impasse que expôs até divergências dentro da própria diretoria rubro-negra.
José Boto havia avançado nas tratativas com os russos, mas o negócio esbarrou no limite financeiro estabelecido pelo presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap. Diante da distância entre o que estava sendo negociado e o que a presidência aceitava pagar, a operação foi congelada e, posteriormente, encerrada.
Talvez tenha sido melhor assim.
Não pelo futebol de Luiz Henrique, jogador de Seleção Brasileira, com passagem marcante pelo Botafogo e qualidade suficiente para reforçar praticamente qualquer clube do país. A questão é outra.
Se Luiz Henrique desembarcasse na Gávea, o Flamengo reuniria no mesmo elenco três jogadores cujos nomes já apareceram, em situações e graus bastante diferentes, em casos relacionados a suspeitas de manipulação de cartões e apostas esportivas: Lucas Paquetá, Bruno Henrique e o próprio Luiz Henrique.
Paquetá enfrentou o caso mais conhecido. A Federação Inglesa o acusou de receber deliberadamente cartões amarelos em quatro partidas da Premier League, entre 2022 e 2023, com o objetivo de influenciar o mercado de apostas. É indispensável registrar, porém, que a acusação não foi comprovada: em julho de 2025, uma comissão independente absolveu o jogador das acusações de manipulação.
Bruno Henrique viveu situação diferente. O atacante foi investigado no Brasil por suspeita de ter provocado um cartão amarelo contra o Santos, em 2023, depois que pessoas próximas fizeram apostas justamente naquela advertência. Na Justiça Desportiva, chegou a ser punido em primeira instância pelo STJD com 12 jogos de suspensão e multa de R$ 60 mil.
E Luiz Henrique também teve o nome associado às investigações. Quando ainda defendia o Betis, um cartão amarelo recebido por ele entrou no radar por causa de apostas casadas envolvendo também um cartão de Paquetá. Posteriormente, veio à tona que parentes de Paquetá fizeram duas transferências via Pix, somando R$ 40 mil, para Luiz Henrique. Os envolvidos sustentaram que os pagamentos eram referentes a uma dívida pessoal, sem relação com apostas.
Portanto, é bom deixar as coisas em seus devidos lugares: são três histórias diferentes, com situações jurídicas e desportivas distintas, e não cabe colocar os três jogadores no mesmo grau de responsabilidade.
Mas que seria uma coincidência e tanto, seria.
Se a contratação tivesse saído, o Flamengo poderia reunir Paquetá, Bruno Henrique e Luiz Henrique no mesmo elenco. Três grandes jogadores e três nomes que, por razões diferentes, já passaram pelas páginas policiais ou disciplinares do futebol quando o assunto foi a delicada relação entre cartões e apostas esportivas.
Pensando bem, Bap talvez tenha economizado mais do que 30 milhões de euros.
Economizou também uma baita dor de cabeça.
Fonte: Jornal de Brasília