Humberto Gessinger revisita os clássicos dos Engenheiros do Hawaii em Brasília
Humberto Gessinger revisita os clássicos dos Engenheiros do Hawaii em Brasília

Brasília recebe nesta sexta-feira (24) uma noite dedicada à memória afetiva do rock brasileiro. Humberto Gessinger sobe ao palco do Ulysses Centro de Convenções em duas apresentações, às 19h e às 21h30, com a turnê Acústicos Engenheiros do Hawaii, Revendo o Que Nunca Foi Visto

Acompanhado apenas de violão, o gaúcho promete reconstruir, longe da guitarra distorcida, canções que marcaram gerações. Entre elas estão O Papa é Pop, Era Um Garoto Que Como Eu Amava Os Beatles e Os Rolling Stones, Piano Bar e Toda Forma de Poder, ao lado de faixas retiradas de seu quinto álbum solo, batizado justamente de Revendo o Que Nunca Foi Visto.

O disco chegou às plataformas em 2024 trazendo duas composições inéditas, Paraibah, feita em parceria com Chico César, e Sem Piada Nem Textão, somadas a registros ao vivo colhidos ao longo da turnê. O trabalho surge como uma espécie de balanço criativo para Gessinger, que em 2025 celebrou quatro décadas de carreira dedicada à música. Em conversa exclusiva com o Jornal de Brasília, o músico falou sobre o processo de revisitar suas próprias canções, a relação com o público e os temas que atravessam sua obra desde o início.

Foto: Guilherme Leite

O reencontro com as próprias canções

Para Gessinger, revisitar o repertório dos Engenheiros do Hawaii em formato acústico não costuma render descobertas conceituais, mas sim ajustes de forma. “As descobertas acontecem e isso é muito bom. Mas quase nunca são conceituais, são quase sempre formais: achar o tom certo, a velocidade exata, aperfeiçoar o arranjo”, explicou o cantor. Segundo ele, é no momento da criação que uma música revela mais claramente aquilo que carrega. “Quando são novas, as músicas não deixam estas alternativas claras. Mas do ponto de vista conceitual acho que é no seu nascimento que as canções se revelam mais claramente”, disse.

Com décadas de repertório acumulado, o artista destaca um fenômeno que só o tempo permite: o diálogo entre canções de épocas diferentes. “Um lance legal que acontece com a passagem do tempo para quem tem um repertório vasto é a conexão entre músicas antigas e recentes. Elas dialogam”, afirmou. Ele citou como exemplo um arranjo que une Infinita Highway e Até o Fim. “O que parece ser uma contradição, um infinito com fim, vira quase uma nova canção”, completou.

Ao comparar a experiência dos shows acústicos com as fases elétricas de sua carreira, Gessinger observou uma característica recorrente do seu público. “Quem vai ao show e não conhece muito meu trabalho sempre se surpreende com a juventude do público. Eu achava que era assim para todo mundo. Hoje sei que não é algo tão comum e sou muito grato”, contou. Para o cantor, essa renovação de plateia é reflexo da continuidade de seu trabalho ao longo dos anos.

Foto: Guilherme Leite

O músico rejeita a ideia de que os dois formatos, acústico e elétrico, sejam excludentes. “Os momentos acústicos e elétricos se sucedem sem negar um ao outro. São complementares, não contraditórios”, disse Humberto. Ele detalhou a diferença de proposta entre as turnês: “O foco nos shows acústicos são releituras, um repertório mais clássico. Na tour elétrica, há um inquietamento artístico mais forte. São dois lados importantes. Seguir em frente sem esquecer o passado.”

Um disco que atravessa o tempo

Sobre o novo álbum e sua relação com os 40 anos de carreira, Gessinger lembrou que a mistura entre inéditas e clássicos é uma marca antiga de seus discos ao vivo. “Desde meu primeiro disco ao vivo, ‘Alívio Imediato’, de 1989, sempre coloquei músicas inéditas ao lado dos clássicos. Geralmente duas. Mas às vezes quatro e até oito”, relembrou o artista. Para ele, essa convivência entre diferentes momentos é o que dá sentido ao projeto atual. “Passado e presente, acústico e elétrico, a música sobrevoa estas dualidades”, completou o cantor.

Questionado sobre como temas como o excesso de informação e o cotidiano contemporâneo, presentes em faixas recentes como “Sem Piada Nem Textão”, influenciam sua composição hoje, Gessinger fez uma reflexão sobre a própria trajetória pessoal. “Acho que este tema sempre foi presente. Nunca fui um cara extrovertido, pelo contrário. Hoje noto que este traço de personalidade influenciou minha trajetória artística”, avaliou. Segundo ele, essa introspecção moldou um estilo próprio de compor. “Acabei criando meu caminho e meu jeito próprio de andar. Sou incapaz de escrever um hino. Minhas canções sempre trazem mais de um lado, tentam comunicar em vários níveis”, disse.

Foto: Guilherme Leite

Ao falar especificamente sobre a canção, o cantor foi direto sobre o que o incomoda no comportamento contemporâneo diante das redes e do consumo de conteúdo. “Esta música especificamente fala dos excessos do humor e do terror. Às vezes são esconderijos, venda nos olhos para não enxergar a realidade. E nos deixar passivos achando que estamos fazendo algo”, concluiu Humberto Gessinger.

Serviço:
Humberto Gessinger – Acústicos Engenheiros do Hawaii – Revendo o Que Nunca Foi Visto
Data: 24 de julho (sexta-feira
Horários: 19h (sessão extra) e 21h30
Local: Ulysses Centro de Convenções
Ingressos: Bilheteria Digital

Fonte: Jornal de Brasília

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