Facebook icon
Facebook icon

As grandes empresas de tecnologia sofreram um baque no mês de junho, puxadas pelo receio dos investidores com juros altos prolongados, cobranças sobre o real retorno dos investimentos em inteligência artificial e alta no mercado global de semicondutores.

+ Bitcoin lidera perdas no semestre; veja ranking de investimentos

Levantamento da Economatica mostra que as sete magníficas, empresas de tecnologia mais valiosas do planeta, perderam US$ 2,03 trilhões em valor de mercado em junho. A Microsoft liderou as perdas, recuando 17,15%, seguida da Amazon (-11,93%), Meta (-10,78%) e Apple (-7,27%). Veja ranking abaixo:

Desempenho das 7 Magníficas

Olhando para o acumulado de 2026, o cenário, no entanto, não foi tão catastrófico. Algumas companhias valorizaram, entre elas Alphabet (13,54%), Apple (6,97%), Nvidia (6,08%) e Amazon (5,23%). E na contramão, Tesla, Meta e Microsoft acumularam perdas de 3,99%, 13,16% e 20,78%, respectivamente.

A grande dúvida dos investidores é se as perdas de junho tendem a se prolongar no longo prazo ou se é apenas um momento ruim do mercado ou um movimento de realização de lucros.

O que está por trás da fuga dos investidores?

Segundo os especialistas, foram vários os gatilhos que provocaram o tombo das Magníficas. Renato Nobile, CEO e CIO da Buena Vista Capital, afirma que o mercado passou a exigir evidências concretas do retorno sobre o capital investido em IA.

“Com um capex anual projetado de US$ 750 bilhões para o setor, os investidores começam a questionar a viabilidade e o prazo de maturação desses investimentos”, diz.

Para Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, o cenário de juros mais altos e custo de capital elevado também impactou no desempenho da Magníficas. Ele destaca que existe uma realocação de capital em função do valuation, porque muitos investidores questionam o ritmo atual de crescimento das empresas ou projeções de lucro versus o preço das ações na bolsa.

Já para Bruno Corano, economista da Corano Capital, não há uma fuga de investidores e sim um movimento de rotação seletiva nas carteiras. “O investidor começou a separar quem está gastando centenas de bilhões em IA de quem está vendendo a infraestrutura dessa IA”, observa.

Nobile pondera que a rotação ocorre também para outros setores da bolsa. Ele cita o índice Russell 2000, que reúne pequenas empresas dos EUA, que superou o Nasdaq 100 pela primeira vez em vários anos, com investidores realizando lucro em big techs para buscar oportunidades em segmentos descontados.

Mercado cobra que IA gere valor

Empresas como Microsoft, Amazon, Alphabet e Meta pretendem gastar bilhões de dólares em infraestrutura em IA em 2026, mas segundo Corano, o grande conflito é que o mercado ainda não está vendo esses gastos se traduzirem em receita. “O mercado não está mais aceitando apenas a narrativa de ‘IA vai mudar tudo’. Agora ele quer ver receita, margem, produtividade e retorno sobre capital investido”, comenta o economista.

A grande questão, na visão de Corano, é quem realmente captura valor econômico com Inteligência Artificial. Ele destaca que boa parte do valor gerado pode ficar com a Nvidia, TSMC, Micron, Broadcom e fornecedores de infraestrutura. “E não necessariamente com as plataformas que estão gastando”, alerta.

Para os especialistas, a queda das Magníficas é transitória, mas no longo prazo ainda há expectativa de ganhos de eficiência, expansão de ecossistemas e maior monetização de dados.

Semicondutores mudaram o jogo

Segundo projeções da IDC, o mercado global de semicondutores pode atingir US$ 1,29 trilhão em 2026, com crescimento de 52,8% ao ano, puxado por infraestrutura de IA e memória.

Corano destaca que para as Magníficas o peso dos semicondutores é enorme, mas assimétrico. A Nvidia é a que mais se beneficia, com alta demanda por semicondutores e infraestrutura de IA, mas há riscos se o custo total da IA ficar alto demais, fazendo os clientes desacelerarem as compras.

Já para Microsoft, Alphabet e Meta, a alta no preço dos semicondutores é custo de investimento. “O problema é que isso aumenta o capex, pressiona o fluxo de caixa livre e eleva o ponto de equilíbrio da monetização”, avalia o economista.

Na Apple, o impacto é sentido na cadeia de hardware. “Se os componentes sobem muito, a Apple tem três escolhas: absorver margem menor, repassar preço ou reduzir especificações”, destaca Corano.

Já na Tesla, ele comenta que o efeito é misto, porque semicondutores são essenciais para carros, direção autônoma e infraestrutura de IA, mas a empresa já enfrenta pressão de margem no negócio automotivo.

O que esperar?

Os especialistas consultados afirmam que os balanços das Sete Magníficas do 2º trimestre serão um teste decisivo para o desempenho das ações destas empresas.

“Se os dados mostrarem crescimento consistente em receita de nuvem e melhora no fluxo de caixa, isso restabelece confiança e pode atrair retorno de capital no segundo semestre”, avalia Sidney Lima.

Nobile acrescenta que no momento não estamos diante de um bear market estrutural, ou seja, a queda no preço das ações representa mais uma oportunidade de alocação do que o início de um ciclo de baixa prolongado.

Contudo, os especialistas fazem a ressalva que se a temporada de balanços do 2ºTRI mostrar apenas gastos e pouca receita incremental, a correção no preço das ações dessas companhias pode durar mais tempo.

Vale a pena investir agora nas Sete Magníficas?

Os especialistas citam a Microsoft como uma das alternativas mais interessantes após queda de 17,15% nas ações em junho. Corano aponta que a companhia tem estrutura robusta para monetizar IA no ambiente corporativo e representa uma oportunidade para ganho de capital e dividendos modestos. “O risco estaria no tamanho do capex e velocidade de retorno exigida pelo mercado”, pontua.

Já a Nvidia é a mais beneficiada pela corrida de IA, mas o mercado precifica expectativas elevadas. Nobile reforça que com a valorização expressiva das ações, a relação preço/lucro da Nvidia também melhorou porque o lucro acompanhou o desempenho dos papéis.

No caso da Alphabet, os especialistas enxergam oportunidade tanto para ganho de capital como retorno via recompra de ações relevantes. Além de ter um valuation atrativo e um portfólio sólido de replicar. Mas apontam como risco a disrupção da IA generativa que pode reduzir cliques e receita publicitária.

Na Apple, Sidney Lima já enxerga a cobrança do mercado sobre o fator IA, mas acredita que a tese é capaz de oferecer ao investidor tanto ganho de capital quanto dividendos, embora a empresa precise se provar nessa nova fase forte de crescimento.

Na Meta, também é possível obter ganho de capital, recompras de ações e dividendos modestos, mas a companhia tem o desafio de superar a desconfiança do mercado, que já estava reticente desde os gastos excessivos com metaverso. “O aumento expressivo de capex com IA pode voltar a gerar desconfiança”, avalia Corano.

Enquanto a Tesla é vista pelos especialistas como o investimento mais especulativo entre as Magníficas, dado que seu valuation depende de promessas futuras (robô táxi, robôs, direção autônoma), entre outros, mas representa oportunidade de valorização.

Por último, Corano cita a Amazon, cujo crescimento em nuvem também exige investimento pesado. Dividendos estão descartados no curto prazo, mas há espaço para ganho de capital.

Leia a reportagem completa no B3 Bora Investir



Fonte: IstoÉ Dinheiro

Olá, NÃO VÁ,
EMBORA AINDA!

Inscreva-se para receber as notícias em primeira mão em sua caixa de e-mail.

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Destaques Portal Standarte

Relacionadas

Menu