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A estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026 contra o Marrocos consolidou um cenário inédito para o mercado de mídia e trouxe um verdadeiro paradoxo para os diretores da TV Globo. Por um lado, os 30,7 pontos de audiência registrados na Grande São Paulo representam, oficialmente, a pior marca da história da emissora em um primeiro jogo do Brasil em Mundiais — uma queda expressiva frente aos 50 pontos alcançados na estreia de 2022 contra a Sérvia. Por outro, o futebol mostrou que ainda é a maior força da televisão nacional: a mesma partida garantiu à emissora o recorde de maior audiência de toda a TV brasileira no ano de 2026, superando com folga os picos da final do Big Brother Brasil 26 e dos amistosos preparatórios.

A explicação para a queda histórica no comparativo com as Copas anteriores não está no desinteresse do público, mas sim na pulverização absoluta dos direitos de transmissão. O torcedor que antes não tinha alternativa fora da Globo agora se espalhou por um ecossistema multiplataforma agressivo. O SBT, com o retorno de Galvão Bueno e Tiago Leifert à TV aberta, atraiu o público mais nostálgico, enquanto o streaming consolidou sua força monumental. No digital, a CazéTV bateu o recorde mundial de visualizações simultâneas em uma transmissão esportiva, alcançando o pico de 12,2 milhões de dispositivos conectados, somada ao forte apelo da Prime Video e do próprio Globoplay. O bolo da audiência, que antes era exclusivo, foi fatiado de forma definitiva.

A força do produto

Apesar do tombo histórico quando comparada ao seu próprio passado monopolista, a Globo operou em um patamar inalcançável para qualquer outra atração da TV atual. O share (porcentagem de televisores ligados sintonizados no canal) provou que, mesmo com a fuga de telespectadores para as plataformas vizinhas, a Seleção em Copa do Mundo joga em outra divisão comercial e de engajamento, isolando a emissora na liderança ao longo de todo o sábado à noite. A nova realidade do mercado mostra que os tempos de reter 80% das televisões do país ficaram no passado, mas o futebol continua sendo o único produto capaz de parar o Brasil e redefinir os recordes do ano.

Fonte: Jornal de Brasília

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