Aos gritos de “A Albânia não está à venda!”, milhares de pessoas protestaram em Tirana, pelo quarto dia consecutivo, contra um projeto turístico ligado ao genro de Donald Trump, Jared Kushner.
Os manifestantes denunciaram na noite desta quinta-feira (4) a construção do complexo, que pode ser prejudicial ao meio ambiente. Algumas faixas pediam a renúncia do primeiro-ministro socialista Edi Rama, enquanto outras exibiam um desenho que o mostrava entregando chaves a Ivanka Trump, filha do presidente americano e mulher de Kushner.
Segundo o plano, apresentado há dois anos, o projeto prevê a transformação da ilha de Sazan – antiga base militar secreta comunista – em um destino turístico de luxo, uma operação avaliada em US$ 1,2 bilhão (R$ 6,08 bilhões). Também estava prevista a construção de hotéis de luxo na área costeira protegida de Vjosa-Narta, na comunidade de Zvernec, sul do país.
Os protestos se intensificaram nos últimos dias, após a divulgação de vídeos que mostravam trabalhos preparatórios no litoral e máquinas na praia, e depois que um homem foi agredido por seguranças em Zvernec.
Os manifestantes exigem a revogação da lei sobre investidores estratégicos, que permite acelerar determinados projetos, e da qual os investidores desse programa teriam se beneficiado. Também pedem a retirada das mudanças introduzidas na lei sobre as áreas protegidas que permitiriam a construção do complexo hoteleiro.
A Albânia tem 22% do seu território catalogado como área protegida. A ativista de direitos humanos Luciana Kokaj, 31, contou hoje à AFP que possui bens no norte da Albânia que “um grande investidor” quer tomar com títulos falsos de propriedade. “Isso vai além dos meus próprios interesses. Trata-se de proteger a Albânia para os nossos filhos.”
Nesta semana, a Procuradoria Especial contra a corrupção e o crime organizado anunciou a abertura de uma investigação sobre o projeto, mas não deu detalhes.
© Agence France-Presse
Fonte: Jornal de Brasília