O presidente Emmanuel Macron anunciou nesta segunda-feira (1º) investimentos estrangeiros “recordes” na França no valor de 93 bilhões de euros (R$ 549 bilhões de reais), incluindo aportes em inteligência artificial, no âmbito do fórum anual com empresários no qual apostou sua “credibilidade” para garantir sua implementação.
Realizada no Palácio de Versalhes, nos arredores de Paris, esta nona edição do “Choose France” (Escolha a França), criado por Macron, de centro-direita, após chegar ao poder em 2017 para atrair investimentos estrangeiros, registrou anúncios de investimentos de 93 bilhões de euros, que representam a criação de 15.600 empregos.
“Tudo o que vocês assinaram aqui, tudo o que foi anunciado durante estes dias… será executado e cumprido dentro dos prazos”, declarou Macron em um discurso em inglês dirigido a líderes empresariais estrangeiros.
“Coloco minha credibilidade sobre a mesa diante de vocês”, acrescentou o presidente, enquanto persistem dúvidas sobre o futuro do evento após sua saída do cargo em 2027.
O fórum deste ano superou, assim, as promessas realizadas nas edições anteriores, que totalizavam 87 bilhões de euros (R$ 513 bilhões, na cotação atual).
O novo valor representa 71 anúncios feitos em conexão com esta cúpula, incluindo o 45 bilhões de euros (R$ 265 bilhões) prometidos neste fim de semana pela gigante japonesa de tecnologia SoftBank para um projeto colossal de data center, a ser implementado até 2031.
Também no setor digital, a gestora de ativos canadense Brookfield investirá mais 10 bilhões de euros (R$ 59 bilhões) em infraestruturas relacionadas à inteligência artificial na França, elevando seu investimento total para 30 bilhões de euros (R$ 177 bilhões).
Durante o fórum, realizado no Palácio de Versalhes, ao sul de Paris, espera-se também o anúncio de investimentos em semicondutores, minerais críticos, eletrificação de tratores e caminhões, siderurgia e saúde, afirmou o presidente francês.
A França atraiu o maior volume de investimento estrangeiro na Europa por sete anos consecutivos, segundo a consultoria EY.
O país atraiu mais projetos relacionados à inteligência artificial do que qualquer outro lugar na Europa, mas a indústria sofreu, particularmente os setores automotivo, químico e metalúrgico.
Para o economista Sylvain Bersinger, os anúncios feitos em Versalhes “não devem ocultar que, em termos gerais, o investimento empresarial na França está deprimido” e que o objetivo de “reindustrialização” permaneceu, por enquanto, apenas em “boas intenções”.
Macron, que deixará o poder em menos de um ano, quer transformar a França em uma líder mundial em inteligência artificial e anunciou em maio cerca de 1,55 bilhão de euros em investimentos públicos para desenvolver tecnologias quânticas e semicondutores.
“Estamos claramente recuperando o atraso que tínhamos em matéria de capacidade de computação na Europa” em relação aos Estados Unidos e à China, afirmou nesta segunda-feira o presidente francês.
AFP
Fonte: Jornal de Brasília