A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo divulgou uma nota nesta sexta-feira (15/5) sobre uma Ação Civil Pública na Justiça Federal de São Paulo para tentar suspender os efeitos dos Leilões de Reserva de Capacidade de Energia de 2026. A medida busca impedir a assinatura dos contratos prevista para os dias 21 e 22 de maio, sob a justificativa de que há indícios de irregularidades ainda não esclarecidas no processo.
Segundo a entidade, um dos principais pontos de questionamento é o aumento repentino dos preços-teto do leilão, que teriam subido até 100% em apenas três dias, sem explicação técnica considerada satisfatória. A Fiesp também sustenta que a quantidade de energia a ser contratada pode estar acima da real necessidade do país.
Na avaliação da federação, caso os custos extras sejam confirmados, o impacto será repassado diretamente ao consumidor por meio das contas de luz ao longo de duas décadas. A entidade afirma que defende a segurança do sistema elétrico nacional, mas argumenta que isso não pode servir de justificativa para contratações consideradas ineficientes e sem transparência.
Ela também defende a realização de um novo leilão ainda em 2025, com parâmetros técnicos revisados, maior concorrência entre os participantes e preços mais vantajosos para os consumidores.
Na ação, a entidade afirma que o modelo atual fere princípios da livre concorrência e da modicidade tarifária, conceito que prevê tarifas justas ao consumidor. Para a federação, a suspensão do certame é necessária para garantir transparência no setor elétrico e evitar prejuízos futuros à população.
Além da ofensiva na Justiça Federal, a Fiesp apresentou representação junto à Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal, com pedido de medida cautelar para suspender imediatamente a homologação e a adjudicação dos resultados do leilão.
Em outra frente, a entidade também solicitou ingresso como terceira interessada, na condição de amicus curiae, no processo de fiscalização conduzido pelo Tribunal de Contas da União sobre os certames.
Danandra Rocha
Repórter de política
Formada pela Faculdade Anhanguera de Brasília, tem experiência em assessoria, televisão e rádio. É repórter da editoria de Política, na cobertura do Congresso.
Fonte: Correioweb