O Flamengo chamou a Globo para o ringue e foi logo desferindo um direto no queixo: o Cartola FC. Nesta quinta-feira (14), no palco do São Paulo Innovation Week, o presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, deixou claro que o tempo da “cortesia” acabou.
O clube quer dinheiro – muito dinheiro – e a Globo, que transformou um jogo de fantasia em uma mina de ouro digital, se recusa a abrir o cofre. A briga não é por detalhe; é por uma fatia de um bolo que fatura alto enquanto os clubes, segundo o Flamengo, assistem de camarote sem ganhar um centavo de licenciamento.
O motivo da fúria rubro-negra tem números que impressionam. Estima-se que a Globo fature entre R$ 70 milhões e R$ 100 milhões por temporada com o Cartola. São mais de 30 milhões de times criados e uma massa de assinantes do “Cartola PRO” que paga para ter vantagens exclusivas, gerando uma receita direta de assinaturas que passa dos R$ 30 milhões. Some a isso cotas de patrocínio de marcas gigantes que pagam fortunas para aparecer no aplicativo, e você tem um negócio onde a Globo vende o que não produz sozinha: o prestígio dos clubes, a imagem dos jogadores e a paixão das torcidas.
Um grande negócio
O Cartola funciona como um mercado de ações do futebol, onde o desempenho real vira pontuação virtual. Mas para Bap e a cúpula do Flamengo, a Globo cruzou a linha entre o promocional e o comercial. Enquanto o contrato de TV cobre a exibição dos jogos, o Flamengo entende que o uso de seu escudo e de seus atletas em um aplicativo pago com patrocínios próprios exige um contrato de licenciamento à parte. É o mesmo modelo do jogo FIFA (EA Sports): se quer usar a marca, tem que pagar royalties.
O Flamengo tem razão? Se olharmos para o mercado moderno de direitos digitais, a resposta é um sonoro sim. O futebol mudou e o “pacote tudo incluído” da Globo está obsoleto. O Flamengo está jogando duro porque sabe que é o combustível que move o engajamento do jogo.
É inegável que, sem o Flamengo e seus craques, o Cartola perde o brilho; sem o licenciamento, a Globo corre o risco de ver o jogo ser esvaziado judicialmente. O palco em São Paulo foi apenas o anúncio da guerra: ou a Globo divide o lucro, ou o Flamengo vai tentar implodir o modelo de negócio da vênus platinada.
Fonte: Jornal de Brasília