10/05/2026 – 9:00
A Atlas Eletrodomésticos, dona das marcas de fogão Atlas e Dako, planeja ampliar sua participação de mercado no país por meio de expansão nas regiões Norte e Nordeste. Atualmente, a companhia tem 37% do mercado nacional, sendo o Norte e o Nordeste responsáveis por 28% do todo. Os planos da companhia incluem renovação de linhas de produtos, o que já demandou investimentos de R$ 30 milhões.
Segundo o CEO da Atlas, Márcio Veiga, o Nordeste é a única região em que a empresa não tem a liderança de mercado de fogões. “O custo logístico inviabilizava nossa competitividade no Nordeste. E o custo do transporte no Brasil subiu muito desde a pandemia”, diz Veiga.
Para amenizar esse gargalo e acelerar os planos, a Atlas inaugurou uma unidade de produção na cidade pernambucana de Escada, a 60 quilômetros da capital Recife, em 2024, dando um salto na capacidade produtiva.
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Também está no horizonte próximo a ampliação da unidade de Pato Branco (PR), com foco em automação. Hoje, a capacidade instalada é de 3 milhões de unidades por ano, que atendem a 15 mil pontos de venda pelo país.
Foco em economia no consumo de gás
A renovação do portfólio Atlas focou em eficiência energética. “As donas de casa dão muito valor para para eficiência, porque o consumo no final do mês do gás impacta no orçamento das famílias. Então, a gente não quis trazer simplesmente um produto novo, mas sim um produto que tivesse um impacto positivo”, conta Veiga.
Foi feita a inclusão de queimadores com projeto italiano que reduziram o consumo de gás em 10% em relação à plataforma anterior. “Conseguimos uma equação de custo e isso trouxe uma performance melhor no produto, em relação à plataforma que a gente tinha anterior. Melhoramos a performance em 10%”.
Fornos mais largos e com visor maior
Três outras melhorias, baseadas nas avaliações e demandas dos consumidores, foram: mudança nas grades (das bocas do fogão) com seis pontos de apoio para dar maior estabilidade, fornos mais largos e fornos com visor maior, para não precisar abrir a porta do forno para checar o assado, o que reduz o consumo de gás.
“Por ser um produto de entrada, trazer um design diferente é um desafio. Fazer algo diferente e manter a competitividade e o custo é difícil, mas conseguimos, inclusive, soluções relevantes para o consumidor de hoje”, relata.
O executivo diz o projeto de remodelação de linhas foi um processo de quase três anos que se deu justamente em “um novo momento de elevação dos custos”.
A Dako se posiciona como uma marca premium, focada em segmentos de maior valor agregado, e a Atlas está direcionada para mercado de entrada e produtos de volume, com foco em custo-benefício.
Nos planos da Atlas também está o reforço de categorias menores em seu portfolio, como cooktops a gás e por indução (segmento em que também declara liderança), fornos de embutir e eletroportáteis.
Empresas de 76 anos
Veiga diz que os patamares elevados dos juros deixam o mercado mais desafiador, mas que os investimentos têm sempre um olhar de longo prazo e se apoiam em linhas de crédito de fomento à inovação, como da Finep.
“Mas são ciclos. O Brasil sempre passou por esses altos e baixos e é nesses momentos que você tem que ter resiliência. E uma empresa de 76 anos, ela tem resiliência para suportar esses momentos. Não olhar só o momento de curto prazo. Somos muito cautelosos em investimentos, no uso do recurso. Então, é é avaliar como buscar recurso fora e com parceiros que tragam uma condição interessante”.
A Atlas também responde por 40% das exportações brasileiras de fogões, que tem como destino países na América do Sul, com destaque para operações na Argentina, portanto, não sofre os impactos tarifários dos Estados Unidos.
Fundada como fabricante de fogões à lenha, na cidade de Pato Branco (PR), a companhia se anuncia como líder no mercado brasileiro de fogões a gás, sendo 27% com a marca Atlas e 10% com a Dako. A liderança não pode ser confirmada pela Eletros, que representa as principais indústrias de eletroeletrônicos do Brasil, pois, por questões concorrenciais e de compliance, disse não poder divulgar dados de fabricantes.
Fonte: IstoÉ Dinheiro