A derrota para o Internacional foi o ponto final para o trabalho de Vojvoda no Santos. A decisão, tomada logo após o resultado negativo, colocou o treinador como o sétimo demitido em apenas sete rodadas do Campeonato Brasileiro.
A marca impressiona — e preocupa. Pela primeira vez na competição, a média chega a uma troca por rodada, escancarando um padrão que já deixou de ser exceção para virar regra.
A sequência de quedas ajuda a dimensionar o cenário:
Jorge Sampaoli (Atlético-MG) — 3ª rodada
Fernando Diniz (Vasco) — 3ª rodada
Filipe Luís (Flamengo) — 4ª rodada
Juan Carlos Osório (Remo) — 4ª rodada
Hernán Crespo (São Paulo) — 4ª rodada
Tite (Cruzeiro) — 6ª rodada
Vojvoda (Santos) — 7ª rodada
O Brasileirão consolida, assim, a fama de triturador de treinadores. Uma percepção que já ultrapassou as fronteiras do país, como ficou evidente na reação da imprensa espanhola à demissão de Filipe Luís no Flamengo, mesmo após uma goleada por 8 a 0.
O ambiente é de pressão permanente. Resultados imediatos são exigência básica, e nem mesmo conquistas recentes garantem estabilidade. A saída de Tite, pouco depois de levantar o título mineiro, reforça a lógica de um campeonato que praticamente não tolera oscilações.
Mas há um outro lado nessa engrenagem.
Se o Brasileirão demite com rapidez, também reabilita com a mesma velocidade. Renato Gaúcho simboliza bem esse movimento. Sem clube e desacreditado após deixar o Fluminense, assumiu um Vasco pressionado e respondeu de imediato.
Foram duas vitórias seguidas — uma delas sobre o Palmeiras, de virada, fora de casa — e, na sequência, uma reação marcante diante do próprio Fluminense. Mesmo após sair perdendo por 2 a 0, o Vasco virou para 3 a 2, em um resultado que reposiciona o time e recoloca o treinador no centro das atenções.
É essa dualidade que define o Campeonato Brasileiro: ao mesmo tempo em que encurta trabalhos de forma quase implacável, também oferece redenção em tempo recorde. Aqui, cair e se reerguer fazem parte do mesmo roteiro — às vezes, com apenas alguns dias de diferença.
Fonte: Jornal de Brasília