15/03/2026 – 10:00
Em meio a um complexo de barragens, o Divisa Experience Resort, nasceu como um destino para amantes da pesca, mas está apostando agora nos entusiastas do vinho ao lançar seu terroir próprio, uma alternativa de enoturismo fora da tradicional região vinícola da serra gaúcha. O resort faz parte do grupo Gramado Parks e está localizado a cerca de 23 km da pequena cidade de São Francisco de Paula, que fica a aproximadamente 45 km de Gramado.
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O último dia de fevereiro marcou a primeira vindima do vinhedo plantado em 2023. São 1,2 hectare produzidos, sendo metade com a variedade Sauvignon Blanc e a outra metade com Merlot e Malbec. O vinho ficará armazenado em barricas francesas e estará pronto para consumo a partir de 2028. Ainda neste ano, será feito o plantio das castas Rebo, Cabernet Franc, Pinot Noir e Chardonnay, totalizando 15 hectares, com previsão de colheita a partir de 2028 a 2030.
“É uma aposta de termos um terroir diferenciado. Estamos a 840 metros do nível do mar, é um solo de origem de erupção vulcânica. Então, a planta se desenvolve bem, tem uma boa maturação, suporta as adversidades como frios intensos. Mas o Divisa foi escolhido por causa da represa, que isso vai nos influenciar com a brisa. São temperaturas não tão elevadas, mas amenas, o que faz com que a uva amadureça lentamente. E isso concentra mais aroma e sabor”, explica Silvano Miquelon, especialista em viticultura e um dos enólogos que desenvolveram o projeto.
O plano é que a produção local atenda aos restaurantes e empreendimentos do grupo Gramado Parks, que recentemente assumiu o controle da operação do Divisa Resort. Em parceria com a Coobrastur, dono original do resort, o investimento total no projeto do terroir próprio foi de R$ 10 milhões.
Além de abastecer suas adegas, o vinhedo será uma opção de experiência de enoturismo tanto para visitantes ‘day use’ como para hóspedes do resort. Durante o lançamento do terroir, os convidados já puderam ter uma ideia da proposta, com possibilidade de participar da vindima e da pisa das uvas.
“Vamos trazer diariamente os turistas aqui e vai ter um roteiro ao longo do dia com experiências gastronômicas, explicações sobre a produção de vinho… Gramado é uma dupla vencedora, porque passamos pela pandemia, que foi muito difícil, pois vive do turismo, e depois tivemos a tragédia das enchentes, que foi algo, transformador, tanto pelo mau sentido, mas também pelo lado bom, porque surgiram alianças de grupos, de entidades, todo mundo se uniu para fortalecer o turismo de volta”, relata Ronaldo Beber, CEO da Gramado Parks, grupo que assumiu recentemente a operação do Divisa.
‘Eno-propriedades’
Futuramente, cotas do vinhedo também farão parte do projeto imobiliário do resort, o Cave, que será lançado em meados do ano e prevê um sistema de multipropriedade com VGV (valor geral de vendas) estimado em R$ 500 milhões.
“Estamos pensando em um público na categoria luxo e concorrer com destinos como Mendoza [tradicional destino enoturístico na Argentina]. Nossa ideia é ter residências,’ eno-residências’, e que o proprietário vai poder produzir o seu vinho aqui, participando de todas as etapas, para que, no final, tenha seu lote de vinho próprio”, explica Carlos Alberto Lopes, presidente da CoobrasTur.
O plano é de comercialização do projeto imobiliário até o final do ano e reúna, pelo menos, 60 residências, dentro de um potencial de 100, em até 10 anos.
Rótulo especial Profundo 16
A primeira vindima dará origem também a uma edição especial de espumantes, o Porfundo 16. Após engarrafado, algumas unidades serão afundadas a 16 metros de profundidade na represa, onde ficarão por três anos. A expectativa é um vinho mais “cremoso”, com borbulhas mais leves, por conta do período totalmente sem contato com a luz solar, outro nível de pressão (5 a 6 bar, contra 2.6 bar normalmente) e sob o leve balanço das águas.
A promessa é de um produto “único” no mercado brasileiro, inspirado em vinhos franceses que também ficam mergulhados, mas em águas marítimas. As primeiras rolhas dessa edição poderão ser estouradas para celebrar a chegada de 2030.
História à beira da represa e nova gestão
O projeto imobiliário do Divisa quer replicar – em nova versão – a experiência da história da família de Lopes. O local era um refúgio de pesca esportiva para seu pai e irmãos entre o final dos anos 1980 e o começo dos anos 1990, que deu origem ao empreendimento Divisa EcoLodge, para turismo de pesca e natureza. Com a formação da represa, o lago era habitat da espécie black bass, espécie considerada exótica invasora, o que levou as autoridades locais a proibirem a soltura desse peixe de volta aos corpos d´água e incentivar seu abate.
Em 2021, o espaço de 100 mil hectares à beira da represa se tornou o Divisa Experience Resort, com foco em refúgio e atividades de contato com a natureza. No final de 2025, passou a ser operado pelo grupo Gramado Parks, que atua em quatro segmentos: hotéis, restaurantes, entretenimento e gestão imobiliária.
O grupo é responsável por cinco hotéis em Gramado, totalizando aproximadamente 1.200 quartos na cidade. Um hotel em Foz do Iguaçu (PR) e outro em Carneiros (PE). Também administra duas rodas-gigantes – Foz do Iguaçu e Rio de Janeiro – e três parques (dois aquáticos e um de neve) em Gramado e em Carneiros. E soma sete restaurantes.
Segundo Beber, o turismo em Gramado e na Serra Gaúcha já retomou o patamar pré-pandemia, e que a região está em curva ascendente em movimentação econômica. “O turismo está pelo e pronto para receber o turista”. Os negócios do grupo teriam acompanhado a curva, crescendo 20% em 2025.
Repousando como um vinho
Com um investimento total de R$ 100 milhões – entre vinhedo e área do resort – o Divisa oferece algumas das cabanas em formato de pipas de vinho – grandes barris de madeira onde ficam armazenados para ‘descanso’, que atua no processo de maturação da bebida. Segundo a gestão do resort, as pipas são reais, provenientes de diferentes vinícolas da região.
As cabanas estão distribuídas em uma parte mais alta da área do resort, com vista para a represa, e formam uma paisagem facilmente associada aos hobbits. Não por acaso, em uma parte mais distante e alta do resort, está a ‘Gruta do Frodo’, espaço para festas e celebrações que proporciona uma vista geral – e muito bonita – do resort e da represa.
*A jornalista viajou a convite do Divisa Resort
Fonte: IstoÉ Dinheiro