Cubanos-relatam-cotidiano-em-Havana-1.jpg

Cubanos que vivem em Havana relatam que o país atravessa o pior momento devido às dificuldades impostas pelo endurecimento do bloqueio energético dos Estados Unidos, iniciado no final de janeiro deste ano pelo governo de Donald Trump.

O aumento dos apagões, a elevação dos preços de produtos básicos, a redução do transporte público e da oferta da cesta básica alimentar subsidiada pelo Estado são alguns dos problemas que se intensificaram nas últimas semanas. A arquiteta Ivón B. Rivas Martinez, de 40 anos e mãe solo de um filho de 9 anos, descreve que os apagões na capital, antes programados em cerca de quatro horas diárias, tornaram-se imprevisíveis e mais longos, podendo chegar a 12 horas em um só dia. No interior do país, a situação é ainda mais grave, com apagões quase o dia todo.

O economista aposentado Feliz Jorge Thompson Brown, de 71 anos e tio de Ivón, avalia que o atual momento é o mais difícil enfrentado por Cuba, superando até o ‘período especial’ da década de 1990, quando a queda do bloco soviético afetou os parceiros comerciais da ilha. Segundo ele, a crise atual é mais cruel tanto material quanto espiritualmente. Brown, que viveu a Revolução de 1959 desde criança, destaca que, diferentemente dos anos 90, hoje há mais incerteza entre a população mais jovem, e o Estado perdeu capacidade para fornecer integralmente a cesta básica.

Os apagões afetam todos os serviços em Havana, incluindo abastecimento de água, telefonia, internet e funcionamento de bancos e cartórios. Ivón Rivas observou um aumento acelerado nos preços de itens essenciais como arroz, óleo e frango nas últimas semanas. Com 80% da energia gerada por termelétricas dependentes de combustíveis, as medidas de Trump limitaram a compra de petróleo no mercado global, agravadas pelo bloqueio à Venezuela.

A pandemia de covid-19 já havia piorado a economia cubana ao impactar o turismo, principal fonte de receita, e o endurecimento das sanções durante o primeiro mandato de Trump (2017-2021) foi mantido por Joe Biden. No novo governo Trump, foram adicionadas restrições à exportação de serviços médicos cubanos, outra importante entrada de recursos.

No transporte, a escassez de combustível reduziu as linhas de ônibus públicos a uma ou duas viagens diárias, enquanto o transporte privado encareceu. Brown estima que a oferta de trens e ônibus nacionais caiu pela metade. Na saúde, consultas são canceladas devido à dificuldade de locomoção dos médicos, e a falta de medicamentos afeta especialmente tratamentos de saúde mental, com pacientes recorrendo a mercados paralelos ou familiares no exterior.

Apesar dos desafios, a educação é mantida, com escolas próximas às residências permitindo que crianças e adolescentes cheguem a pé. O acesso à cultura persiste, como exemplifica Ivón com o filho Robin, de 9 anos, que continua frequentando aulas gratuitas de música em um centro cultural próximo.

O bloqueio econômico contra Cuba dura 66 anos e é visto pelo governo cubano como uma política genocida destinada a derrubar o regime comunista. Ivón Rivas critica que, sob o pretexto de ajudar o povo, as medidas sufocam a população. Feliz Jorge Brown argumenta que Cuba incomoda os EUA por superar índices sociais de vizinhos caribenhos com um modelo alternativo, afirmando que a ilha não está sozinha e continuará avançando.

Para Ivón, a política americana não alcançará uma mudança de regime, pois os cubanos focam em sobrevivência diária, com jovens preferindo emigrar a protestar.

Fonte: Jornal de Brasília

Olá, NÃO VÁ,
EMBORA AINDA!

Inscreva-se para receber as notícias em primeira mão em sua caixa de e-mail.

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Destaques Portal Standarte

Relacionadas

Menu