Investir em CDI pode ser uma boa opção para quem não está disposto a correr riscos com as aplicações; ipca
Investir em CDI pode ser uma boa opção para quem não está disposto a correr riscos com as aplicações; ipca

A dinâmica recente da economia brasileira, com mudanças à vista na taxa básica de juros e variações no ritmo da inflação, tem levado investidores a revisar decisões sobre renda fixa e outros instrumentos financeiros. Nesse contexto, cresce a busca por informações que ajudem a entender como diferentes tipos de títulos reagem aos ciclos econômicos, especialmente aqueles ligados a indicadores como CDI e IPCA.

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Esse movimento impacta ativos como Fundos Imobiliários (FIIs), mas não somente isso – também afeta títulos de crédito, debêntures, letras financeiras, CRIs, CRAs e outros papéis estruturados que seguem no radar de quem procura renda recorrente, previsibilidade de fluxo e algum nível de proteção contra inflação ou oscilações da Selic.

A lógica é semelhante: compreender o indexador do ativo é essencial para alinhar expectativas de retorno ao cenário macroeconômico.

No mercado de capitais, instrumentos atrelados ao CDI costumam ganhar espaço quando a taxa de juros está elevada. Isso ocorre porque a remuneração acompanha mais de perto a Selic, refletindo rapidamente movimentos de alta.

Já papéis indexados ao IPCA tendem a ser mais associados à preservação do poder de compra no longo prazo, pois combinam correção inflacionária com uma taxa real definida em contrato.

Dentro desse universo, os Fundos Imobiliários de recebíveis – também chamados de fundos de papel – funcionam como um exemplo prático de como esses indexadores impactam o desempenho dos investimentos.

Esses fundos concentram recursos em títulos de crédito do setor imobiliário, como os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), cujas condições variam conforme o emissor, o prazo e o indexador escolhido.

A depender da composição da carteira, o comportamento do fundo pode ser mais sensível às mudanças na Selic ou à trajetória da inflação. Esse raciocínio se estende a outros produtos financeiros estruturados, que utilizam mecanismos semelhantes para gerar renda periódica aos investidores.

Ativos atrelados ao CDI e o efeito direto da Selic na rentabilidade

O sócio e diretor da Devant Asset, Christiano Moreira, chama atenção para a relação direta entre juros e desempenho de ativos indexados ao CDI.

“Os Fundos Imobiliários que investem em Certificados de Recebíveis Imobiliários indexados ao CDI tendem a performar melhor em ambientes de juros elevados. A rentabilidade desses fundos acompanha a taxa básica de juros. Porém, em períodos de queda da Selic, a rentabilidade desses fundos tende a diminuir.”

Na prática, o mesmo conceito vale para outros títulos pós-fixados, como CDBs, LCIs, LCAs e debêntures atreladas ao CDI. Em momentos de aperto monetário, esses papéis costumam apresentar rendimentos mais elevados, enquanto ciclos de afrouxamento reduzem o retorno nominal ao longo do tempo.

Por outro lado, Moreira explica que ativos corrigidos pela inflação seguem outra lógica. “Já os fundos com CRIs indexados ao IPCA oferecem proteção contra a inflação, preservando o poder de compra dos investidores no longo prazo. Estes fundos são particularmente atrativos em cenários de inflação elevada, embora também tendam a se valorizar quando há queda na taxa de juros e, inversamente, possam sofrer desvalorização quando ocorra aumento na taxa de juros”.

Esse comportamento também é observado em títulos públicos indexados ao IPCA, como as NTN-Bs, e em debêntures incentivadas com correção inflacionária. Quando o mercado passa a projetar juros menores à frente, esses papéis tendem a se valorizar, já que a taxa real contratada se torna mais atrativa frente às novas condições econômicas.

Antes de escolher entre diferentes indexadores, o gestor destaca que é necessário avaliar o perfil do investidor e seus objetivos. Segundo ele, fatores como horizonte de investimento, necessidade de liquidez, tolerância a oscilações e leitura do cenário macroeconômico devem orientar a decisão, independentemente do tipo de ativo escolhido.

Outro ponto relevante é a análise de risco. Embora títulos atrelados ao CDI ou ao IPCA sejam frequentemente associados à previsibilidade, eles não estão isentos de riscos. No caso de papéis privados, existe a possibilidade de inadimplência do emissor, além do risco de mercado, que afeta os preços dos ativos quando há mudanças nas expectativas de juros e inflação.

A importância da diversificação aparece como um elemento central nessa estratégia. Ao combinar ativos com diferentes indexadores, o investidor reduz a dependência de um único cenário econômico. Essa lógica se aplica tanto a carteiras de fundos quanto a portfólios compostos por títulos públicos e privados.

Na avaliação de Christiano Moreira, essa abordagem contribui para atravessar ciclos distintos com mais equilíbrio. “Manter uma carteira resiliente e diversificada, que combine ativos atrelados tanto ao CDI quanto ao IPCA, permite navegar melhor pelos ciclos econômicos, protegendo o investidor das oscilações e maximizando as oportunidades”, explica.

O gestor reforça que, apesar das diferenças de comportamento, ambos os tipos de ativos compartilham riscos que precisam ser monitorados. “Essas duas classes de fundos estão sujeitas a riscos de crédito, ou seja, à possibilidade de inadimplência dos emissores dos títulos. Além disso, ambos os fundos são impactados com a mudança na taxa básica de juros, porém em direções opostas, reforçando a importância da diversificação entre diferentes indexadores como estratégia de equilíbrio de risco e retorno ao longo prazo”, finaliza.

Com a ampliação do acesso a produtos financeiros e o crescimento do mercado de capitais no Brasil, entender como CDI e IPCA influenciam diferentes títulos deixou de ser um tema restrito a investidores profissionais. Hoje, essa análise é parte fundamental da construção de uma estratégia alinhada ao cenário econômico e aos objetivos de longo prazo.



Fonte: IstoÉ Dinheiro

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