13/12/2025 – 12:00
O brasileiro está gastando menos com comida e bebida nos festivais de música espalhados pelo país. Dados da plataforma de pagamentos Zig mostram, ao ir a um show, cada pessoa desembolsou R$ 231, em média, para comprar comidas e bebidas em 2025.
O valor deste ano é 4% menor que o gasto médio registrado em 2024 e indica uma tendência de queda com consumo de alimentos e bebidas nos festivais. Segundo o próprio Zig, em 2023, o ticket médio foi de R$ 256 por pessoa.
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As hipóteses para a diminuição apontam sobretudo por mudanças no consumidor. Por um lado, a plataforma aponta um movimento em favor da saudabilidade, que diminui os gastos com bebidas alcóolicas e, consequentemente o valor total dispendido.
Outra curiosidade detectada no estudo, e relacionada à busca por saúde, foi o aumento dos pedidos de água, mesmo com a Lei Ana Benevides, que tornou obrigatória a distribuição gratuitamente em eventos de grande porte no estado do Rio de Janeiro.
Projetos semelhantes tramitam no Congresso Federal e em assembleias legislativas estaduais, e muitos eventos em outros estados passaram a distribuir água por iniciativa própria. Ainda assim, enquanto em 2023 a compra de água foi de R$ 2,10 per capita, em 2025 o número é de R$ 2,25.
A diminuição do ticket médio no entanto já gera uma hipótese menos positiva entre os organizadores. “O mercado todo acredita, mas ainda não temos dados para falar sobre isso, que o crescimento das bets roubou um pouco da fatia do orçamento que ia para os festivais. Porque os dois são entretenimento”, afirma o CTO da Zig, David Pires.
Valor total gasto em festivais cresce
Ainda que o consumo per capita nos festivais esteja em trajetória de queda, o consumo total tem crescido. Os dados consolidados dos últimos três anos, até o primeiro semestre de 2025, mostram que os gastos já chegam a R$ 978 milhões. Considerando que os maiores eventos do ano acontecem na segunda metade do ano – como o The Town e o Rodeio de Barretos neste ano – a expectativa é ultrapassa R$ 1 bilhão.
Os números são motivo de comemoração para um setor que foi duramente golpeado pela pandemia nos anos de 2020 e 2021. Já em 2023, os participantes dos festivais gastaram R$ 391 milhões nestes eventos. Em 2024, foram R$ 467 milhões. Neste ano, apenas do primeiro semestre, foram R$ 120 milhões, e a identificação de uma tendência de crescimento contínuo.
“Muita gente saiu do mercado, porque basicamente não tinha mercado dentro do mundo de eventos”, afirma David Pires. O executivo afirma que houve então um “boom” de eventos em 2022, seguido por um declínio no ano seguinte. Desde o final do ano passado, no entanto, ele diz que o setor reencontrou um crescimento sustentável.
O relatório reúne dados desde 2023, quando houve quase 300 festivais mapeados. Em 2024, o número ultrapassou 400 e, neste ano, apenas no primeiro semestre, foram mais de 200.
A Zig atende atualmente 111 marcas de festivais no país, incluindo grandes nomes como Rock In Rio, Lollapalooza, The Town e o Rodeio de Barretos. Trata-se de uma fornecedora de soluções financeiras e de gestão de estoque, que disponibiliza comandas em formato de cartão e sistemas de vendas conectados para operação de grandes eventos.
Fonte: IstoÉ Dinheiro